Candidato do PSTU em BH prioriza aliados do partido nos repasses de campanha

Wanderson Rocha já declarou ter gasto R$ 54 mil só com pessoas e entidades ligadas à legenda
Pelo que declarou ao TRE até aqui, 100% deste dinheiro tem origem pública: o fundão eleitoral. Foto: Divulgação
Pelo que declarou ao TRE até aqui, 100% deste dinheiro tem origem pública: o fundão eleitoral. Foto: Divulgação

O candidato a prefeito de Belo Horizonte pelo PSTU, Wanderson Rocha, tem preferido por manter os gastos de sua campanha só entre aliados. Até a última atualização de movimentações financeiras de sua candidatura, na última quinta (18), Rocha declarou ter utilizado pelo menos R$ 54,5 mil só com pessoas e entidades ligadas ao seu próprio partido. O valor representa mais de 95% dos gastos da campanha até aqui.

Com R$ 23 mil recebidos, o advogado Caio Almeida é o líder nos repasses do candidato. Almeida recebeu por serviços advocatícios e é o principal advogado nas ações que envolvem o PSTU em Belo Horizonte. Ele também atua no Sindicato dos Eletricistas, também ligado ao partido.

Outros R$ 20 mil da campanha de Wanderson Rocha foram investidos junto ao Instituto Latino-americano de Estudos Socioeconômicos (Ilaese), informalmente ligado ao PSTU e dirigido, atualmente, por filiados do partido. A despesa, segundo registro ao TRE, foi para a contratação de estudos socioeconômicos e financeiros da prefeitura de BH.

Rocha também já registrou gastos com duas filiadas do PSTU: a contadora Daylane Bezerra, R$ 7 mil por serviços contábeis, e R$ 4,5 mil para Cássia Cilene, por serviços administrativos.

Pelo que declarou ao TRE até aqui, 100% deste dinheiro tem origem pública: o fundão eleitoral. O diretório nacional do PSTU repassou R$ 147 mil da verba para a campanha de Rocha. Ou seja, restam ainda R$ 90 mil a serem investidos em serviços de aliados do partido ou em outras despesas em geral.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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