Ainda sem base consolidada na Câmara e distante de presidente, PBH tenta diálogo com vereadores

Executivo tem buscado bancadas a fim de ampliar interlocução, mas enfrenta desafio de reconstruir núcleo governista na Casa
Alvaro Damião
Para minimizar a distância política que existe hoje entre Executivo e Legislativo, o prefeito em exercício vem buscando estabelecer diálogos com os vereadores. Foto: Rodrigo Clemente/PBH

A articulação entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e Câmara Municipal encerra o primeiro bimestre de 2025 de forma muito diferente do que ocorreu nos últimos dois meses de 2024. Se, após a reeleição do prefeito Fuad Noman (PSD), a base do governo teve certa facilidade para aprovar a reforma administrativa e autorizar a contratação de cerca de R$ 3 bilhões em empréstimos para o Executivo, os primeiros dois meses deste ano foram marcados, inclusive, pela ausência de diálogo entre o prefeito em exercício, Álvaro Damião (União Brasil), e o presidente da Câmara, vereador Juliano Lopes (Podemos), que chegou a criticar Damião publicamente.

Na outra ponta, o prefeito em exercício, cuja equipe participa ativamente da interlocução com os vereadores, tenta aparar as arestas criadas após a decisão de lançar Bruno Miranda (PDT) como candidato à presidência da Câmara poucos dias após a eleição. O movimento não impediu a vitória de Juliano Lopes. A fim de diminuir tensões e abrir pontes de diálogo com parlamentares, Damião se reuniu recentemente, por exemplo, com a bancada do PL, partido de oposição.

Segundo interlocutores do Legislativo municipal, a administração municipal vem agindo com lentidão e enfrentando dificuldades para construir uma base sólida na Câmara. Neste mês de fevereiro, após apreciação de um veto de Fuad a um projeto de incentivo à prática de esportes por crianças e adolescentes, apenas 12 vereadores seguiram a orientação do líder do governo, vereador Bruno Miranda (PDT), pela manutenção da decisão do prefeito. O número insuficiente de adesões fez com que o veto fosse derrubado.  

Após o carnaval, novos vetos do prefeito irão à votação. Vereadores de oposição e de blocos parlamentares independentes já se organizam para que o governo sofra novas derrotas no plenário da Câmara. 

Não está descartada também a possibilidade  de que sejam recolhidas as assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar supostas irregularidades na secretaria Municipal de Educação. 

Na avaliação de fontes ligadas à prefeitura, não há, a curto prazo, a previsão de projetos estratégicos do governo serem encaminhados ao Poder Legislativo. Por isso, integrantes do núcleo político da gestão municipal acreditam possuir tempo para aglutinar maioria na votação das proposições mais importantes.      

Redução de danos 

Para minimizar a distância política que existe hoje entre Executivo e Legislativo, o prefeito em exercício vem buscando estabelecer diálogos com os vereadores. Em fevereiro, além da bancada do PL, que tem seis vereadores, a bancada do PT, com quatro representantes, também foi recebida por Damião.

Do lado dos liberais, a avaliação do encontro foi positiva. O entendimento é que a agenda serviu para a abertura de diálogo entre o partido e o Executivo. A legenda, embora posicionada na oposição a Fuad, não tem o objetivo de adotar posição intransigente às pautas da prefeitura e pretende, inclusive, votar com a administração municipal a depender do tema em análise.

Os petistas, por seu turno, se encaixam no grupo que, apesar da boa relação com a prefeitura, está em compasso de espera a respeito da divisão dos espaços da gestão Fuad. Ainda não há sinalização a respeito da nomeação de novos cargos no primeiro escalão, por exemplo.

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