‘Free flow’: modelo de pedágios proposto por Zema para a Grande BH é ‘quase novidade’ em Minas

Comum em solo europeu, pedágio eletrônico chegou ao Brasil apenas em 2023
Foto mostra pórtico na MG-459
MG-459 tem pedágio sem cancela. Foto: EPR Sul de Minas/Divulgação

Tendência na Europa, o modelo free flow, pensado pela equipe do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), para o lote de rodovias estaduais da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), chegou ao estado no ano passado. A primeira estrada mineira a adotar a estratégia, baseada na instalação de pórticos em pontos da pista, é a MG-459, em Monte Sião, no Sul do estado.

O pórtico da MG-459 está localizado no quilômetro 12,7 da rodovia. A estrada é administrada pela EPR Sul de Minas, concessionária que tem a gestão de diversas vias da região.

A detecção eletrônica dos veículos chegou ao Brasil em março de 2023. O novo sistema estreou na BR-101, a chamada Rio-Santos. 

“Os pedágios eletrônicos da BR 101 trazem vários benefícios para os usuários-consumidores na rodovia, como a não necessidade de parar em praças de pedágios, maior segurança, recuperação da estrada, instalação de marcos quilométricos e de placas de sinalização e atendimento 24 horas nos Serviços de Atendimento ao Usuários (SAU)”, diz trecho de texto divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) à época da instalação dos pedágios eletrônicos. 

O lote de concessão do Vetor Norte envolve mais de 120 quilômetros. São citadas no edital MG-010, a MG-424 e a LMG-800.

Na semana passada, em reunião com deputados estaduais, o secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Pedro Bruno, defendeu a cobrança do pedágio e disse que o modelo de free flow é o que há de “mais moderno” em termos de infraestrutura viária.

“Você não diminui a velocidade. Vai passar a 110 (quilômetros), registrou a placa e o mecanismo (de cobrança) é automático”, apontou.

Além de identificar a placa, os pórticos definem o valor a ser pago por cada motorista, uma vez que as tarifas vão variar conforme o tamanho da porção da rodovia percorrida pelos condutores. Usuários que tiverem métodos automáticos de pagamento farão a quitação imediata do pedágio. Motoristas sem pagamento automático, por seu turno, terão 30 dias para pagar.

Os condutores de veículos com passagens frequentes por um mesmo ponto terão desconto. A título de exemplo, uma projeção levada por Bruno aos parlamentares detalha os preços a serem praticados no pórtico da MG-010, entre Belo Horizonte e Vespasiano, ao longo de 30 dias. 

Na primeira passagem pelo dispositivo, que vai se basear na placa do veículo e no tipo de automóvel para fazer o cálculo, o condutor terá de pagar R$ 1,45. Na décima passagem com o mesmo carro, o valor imposto ao motorista será de R$ 1,34. O preço segue caindo gradativamente e, na vigésima passagem, será de R$ 1,05. Na trigésima vez, o valor cairá para R$ 0,82.

Desconto não impede protestos

Parlamentares estaduais, vereadores de cidades da Região Metropolitana e categorias como os motoristas de aplicativo, que costumam rodar no entorno do Aeroporto de Confins, não estão satisfeitos com a perspectiva de cobrança das tarifas.

Deputados não ficaram satisfeitos com as explicações de Bruno na semana passada e criticaram a possibilidade de cobrança.

A deputada Lohanna França (PV) afirmou que os descontos previstos aos usuários frequentes não podem servir de justificativa para a instalação dos pedágios

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