‘Só nascendo de novo’: fala de vereador sobre colega gera pedido de censura na Câmara de BH

A censura, nos termos do regimento interno, nada mais é do que um ‘desagravo’ público
Juhlia argumenta que as palavras de Almeida configuram 'ofensa pessoal com caráter discriminatório'. Foto: Cristina Medeiros/CMBH
Juhlia argumenta que as palavras de Almeida configuram 'ofensa pessoal com caráter discriminatório'. Foto: Cristina Medeiros/CMBH

A vereadora Juhlia Santos (Psol) protocolou nesta quarta-feira (9) um pedido de censura contra o vereador Pablo Almeida (PL) na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O requerimento foi motivado por declarações consideradas ofensivas e discriminatórias proferidas por Almeida durante sessão plenária na terça-feira (8).

De acordo com Santos, ao final da Reunião Ordinária do Plenário, Almeida teria dito: “Juhlia: molduras boas não salvam quadros ruins. Minha filha não adianta não, não tem jeito, pra melhorar você só nascer de novo”. A fala ocorreu durante a declaração de voto do Projeto de Lei nº 825/2024, que prevê possibilidade de leitura da Bíblia em escolas públicas e particulares da capital mineira.

A censura, nos termos do regimento interno, nada mais é do que um “desagravo” público lido em plenário pelo presidente da Casa. Só que, em caso de reincidência, a próxima denúncia por censura pode ensejar até no afastamento temporário de mandato.

No pedido de censura, a vereadora do Psol argumenta que as palavras de Almeida configuram “ofensa pessoal com caráter discriminatório” e são “incompatíveis com a dignidade do cargo parlamentar e a imagem pública desta Casa Legislativa”.

Santos fundamenta seu requerimento na Resolução 1480/1990, que estabelece o Regimento Interno da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Especificamente, cita os artigos 26 e 27, que preveem a aplicação de censura a vereadores que atentem contra a dignidade do mandato ou usem expressões que configurem crime contra a honra.

O pedido solicita que a denúncia seja recebida pelo Plenário da Câmara Municipal e submetida a processamento regular. Além disso, requer a aplicação da medida de censura, conforme previsto no Regimento Interno.

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Belo Horizonte deverá analisar o requerimento e decidir sobre os próximos passos do processo.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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