Tem algo estranho no ar. Não é só o cheiro de desconfiança, mas o rastro de fumaça vindo das chaminés ideológicas acesas por quem deveria governar com equilíbrio. A nova Lei 15.122/25 foi vendida como um escudo da soberania nacional, mas tem gosto amargo de revanche ideológica e cheiro de provocação diplomática aos Estados Unidos.
Num ato teatral digno de um anão geopolítico tentando parecer um gigante, o Brasil escancarou portas para acordos com regimes autoritários para exportação de material nuclear. Isso mesmo. Material nuclear. China e Irã seriam grandes beneficiados. Como se a gente estivesse flertando com o perigo só pra parecer rebelde. Isso sem falar no acordo de livre comércio com a Palestina, leia-se Hamas.
E o mais cínico: embutiram na mesma lei mecanismos de proteção aos ministros do STF contra sanções internacionais como a Lei Magnitsky, famosa por punir violadores de direitos humanos. Por que proteger autoridades brasileiras de algo que só se aplica a quem pisa nos direitos fundamentais? Tem caroço nesse angu.
Essa lei não é sobre proteger o Brasil. É sobre cutucar Donald Trump, atiçar a militância e manter viva a fogueira do antiamericanismo infantil. É sobre inflar o ego de quem acha bonito desafiar o Ocidente, mesmo que isso nos jogue nos braços do Eixo do Mal — ditaduras que negam liberdade de imprensa, perseguem opositores e esmagam qualquer noção de dignidade humana.
Soberania não se conquista com fanfarronice, mas com firmeza moral e alianças coerentes. O Brasil está brincando de geopolítica como quem joga War num tabuleiro imaginário, apostando a reputação de uma nação inteira pra ganhar likes num palanque ideológico.
Não é soberania. É soberba.