Vereadora pelo Partido Verde (PV) em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Silvinha Dudu causou desconforto entre correligionários nesta terça-feira (15), ao defender a anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A manifestação pró-anistia da parlamentar aconteceu durante uma sessão plenária na Câmara Municipal.
O PV, vale lembrar, compõe a Federação Brasil da Esperança junto com PT e PCdoB. Os verdes ocupam cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A O Fator, o presidente estadual do PV, Osvander Valadão, disse que a manifestação de Silvinha Dudu “contraria completamente a posição nacional do partido”
“A direção municipal do PV vai encaminhar o caso à comissão de ética e ela será advertida ainda hoje”, afirmou.
Silvinha expressou o posicionamento de apoio aos condenados pelos atos de depredação em Brasília (DF) ao empunhar uma placa com os dizeres “Anistia já!”.
O presidente do PV de Contagem, Rodrigo Tomaz, também criticou a colega de partido. “Eleita pelo PV com mais de 8 mil votos, a parlamentar se posicionou em desacordo com os princípios defendidos pelo partido em nível local e nacional. Diante disso, o partido aguarda uma retratação pública, reafirmando o compromisso com os valores democráticos e com a coerência partidária”, falou.
Não foi a primeira vez que a vereadora se manifestou assim. Em fevereiro, votou favoravelmente a uma moção apresentada pelo vereador Pedro Luiz (PL) e encaminhada ao Congresso Nacional, pedindo que fosse pautada a votação de uma possível anistia aos presos do 8 de janeiro.
Silvinha compõe a base da prefeita Marília Campos (PT) na Câmara de Contagem e, antes de ser filiada ao PV, exerceu mandato de vereadora pelo PCdoB.
Em nota enviada a O Fator, Silvinha disse que “nenhum vereador membro da federação recebeu orientação expressa quanto ao posicionamento sobre a anistia”.
“No que se refere à votação da moção, diversos vereadores manifestaram-se favoravelmente. Por fim, o vereador, nos termos do artigo 29, inciso VIII, da Constituição Federal, é inviolável por suas opiniões, palavras e votos. Talvez, se tivesse recebido alguma orientação partidária, poderia ter se posicionado de forma contrária a manifestação”, defendeu-se.
