O surto de gripe aviária que se abateu sobre os Estados Unidos da América (EUA) neste ano pode fazer com que os produtores de ovos em Minas Gerais terminem o primeiro semestre de 2025 com receita de US$ 8 milhões — cerca de R$ 47,1 milhões, na cotação desta terça-feira (15). A projeção de ganhos foi feita a pedido de O Fator por Manoela Teixeira, assessora técnica da Secretaria de Estado Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
No primeiro trimestre deste ano, impulsionada pela demanda gerada a partir da queda na produção dos EUA, o setor avícola de Minas Gerais conseguiu aumentar em 266% o valor arrecadado em relação ao mesmo período do ano passado, faturando US$ 4 milhões. Segundo Manoela Teixeira, o patamar de ganhos deve ser mantido entre abril e junho.
De acordo com a especialista, o problema sanitário influenciado pelos estadunidenses criou uma espécie de efeito cascata, que beneficiou o Brasil e, consequentemente, Minas Gerais.
“Sendo os EUA o segundo maior produtor global e atingidos pela gripe aviária, precisaram abater o rebanho de aves devido aos focos. Com isso, geraram imediatamente restrições sanitárias para consumo e exportação. Com isso, duas vertentes de oportunidades apareceram para o Brasil e para Minas: os EUA necessitaram buscar no país o atendimento da demanda de consumo por ovos, e os países tradicionalmente abastecidos pelo mercado americano, como México e Canadá, precisaram buscar rotas alternativas”, disse.
Além do crescimento monetário, o aumento da procura pelos ovos oriundos de Minas fez o volume da produção subir 153%.
Sem risco
Conforme a projeção de Manoela Teixeira, o estado deve fechar o primeiro semestre com 2 milhões de toneladas de ovos exportados. Apesar do grande volume, ela rechaça a possibilidade de desabastecimento, uma vez que as vendas para os mercados internacionais correspondem a 1% das unidades produzidas nas granjas mineiras
“A proporção (das exportações ante o consumo interno) cria uma reserva de segurança que praticamente elimina qualquer risco de desabastecimento”, explicou.
