Versão ‘MasterChef’ de Dom Pedro II ajuda a unir memória e gastronomia em roteiro turístico na Zona da Mata 

‘Doces imperiais’ de Leopoldina, testados e aprovados pelo monarca, são aposta para cativar visitantes pelo paladar
Latas de doces imperiais
Frutas típicas de Leopoldina são base para os 'doces imperiais'. Foto: Fred Pontes

São Paulo (SP) — Em 1881, o monarca Dom Pedro II visitou a cidade mineira de Leopoldina, na Zona da Mata, e recebeu dos locais uma refeição que ganhou o nome de banquete real. Os habitantes do município, conhecido pelas plantações de frutas como goiaba, figo e mamão, deixaram o imperador saciado — e maravilhado. Fascinado com as iguarias servidas no lanche, as chamou de “jóias da colônia”, como mostram os registros oficiais das viagens reais.

Depois da visita, as sobremesas feitas com as frutas típicas de Leopoldina ganharam o apelido de “doces imperiais”. As receitas passaram de geração em geração nas famílias da cidade e, hoje, compõem o rol de atrações turísticas da cidade.

Nessa terça-feira (15), uma comitiva de Leopoldina apresentou as iguarias para o público presente à WTM Latin America, feira de turismo que acontece em São Paulo (SP). Em um estande montado pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, a cozinheira leopoldinense Lourdes Beatriz preparou algumas variantes dos “doces imperiais”.

“Todo bom mineiro tem um apelido, uai. Então, me chamam de ‘Tizinha’”, disse, em tom de advertência, antes de começar a explicar a relação com a gastronomia de sua cidade.

“Os doces de frutas caseiras vêm de origem antiga, ensinados por bisavós, avós e mães. Como a gente vem de origem rural, era muito comum termos pomares nas casas. Esses pomares davam as frutas que viravam doces, que e são trazidos como hereditariedade”, contou.

Da família do imperador para as outras famílias

Além de batizar a terra dos “doces imperiais”, o nome Leopoldina também está nas certidões de nascimento de Maria Leopoldina da Áustria, rainha consorte de Portugal e mãe de Dom Pedro II, e de Leopoldina de Bragança, filha do imperador.

Aficionados por culinária também podem conferir a Feirinha de Gastronomia da cidade, mas há outras atrações. No entorno do município, está a cachoeira de Poeira d’Água, que pode ser acessada por uma trilha.

Segundo Alexandre Moreira, secretário de Cultura e Turismo da cidade, os “doces imperiais” servem como forma de demonstrar afeto.

“Dentro da gastronomia, os doces de família são os mais apreciados por todos nós. São receitas que passaram de geração em geração nas famílias. Isso é memória que se perpetua. É uma forma de dizer para o outro que ‘eu gosto de você, eu cuido de você, eu cozinho para você’”, afirmou.

A junção entre elementos históricos, culturais e naturais é, para Leônidas Oliveira, secretário de Cultura e Turismo de Minas, o diferencial que os destinos do estado têm a oferecer aos viajantes. 

“Minas está há três anos seguidos liderando o turismo no crescimento da atividade econômica do Brasil. São dados do IBGE. Temos no estado patrimônios tombados pela Unesco, monumentos do barroco mineiro, cachoeiras, serras. Minas tem o cenário perfeito, ancestral, histórico e de futuro para essa integração com os turistas”, avaliou, durante conversa com jornalistas na WTM.

O repórter viajou a convite da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e do Sebrae Minas.

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