A disputa entre deputados estaduais pelas três vagas abertas no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) corre o risco de ficar para 2026. Pelo que O Fator apurou, a quantidade de candidaturas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e a falta de consenso entre os parlamentares podem empurrar de vez a eleição interna na Casa para o ano que vem.
Nesta quinta-feira (24), com a oficialização da aposentadoria do conselheiro Mauri Torres, e consequente abertura de mais uma vaga na Corte, o tema voltou a ganhar ecos na Assembleia. Interlocutores a par das articulações tanto na ALMG quanto no TCE mineiro acreditam que são reais as chances do presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), não pautar as três cadeiras vagas para este ano.
Segundo as fontes, Tadeu quer evitar que a disputa pelas vagas no Tribunal crie uma série de rachas e desavenças na Assembleia, dificultando as organizações internas e prejudicando as relações entre os deputados.
Como já mostrou O Fator, até mesmo o rito para a indicação tem sido alvo de divergência entre os políticos. Um grupo de parlamentares prefere que a Casa vote duas das três indicações já nas próximas semanas – a argumentação é que os deputados que não conseguirem a indicação terão mais tempo para se reorganizar politicamente. Já outros defendem que o cenário ideal seria deixar a eleição para 2026, ficando mais próxima das eleições gerais – para facilitar negociações que envolvessem a troca de bases eleitorais e lideranças políticas pelo interior.
Duas vagas estão abertas desde 2024, com as aposentadorias de José Alves Viana e Wanderley Ávila. A terceira ficou livre nesta quinta, com Mauri Torres pendurando as chuteiras.
Até aqui, pelo menos nove deputados são considerados potenciais candidatos às vagas. Os nomes incluem Alencar da Silveira Jr. (PDT), Tito Torres (PSD), Ulysses Gomes (PT), Ione Pinheiro (União), Thiago Cota (PDT), Gustavo Valadares (PMN) e Arnaldo Silva (União Brasil). Recentemente, dois novos parlamentares se juntaram ao grupo após pedirem apoio a colegas: Sargento Rodrigues (PL) e Dr. Wilson Batista (PSD).
A seleção dos novos conselheiros segue um rito específico na Assembleia. Após a abertura das inscrições de interessados, uma comissão especial é formada para análise dos currículos. Os candidatos são submetidos a sabatinas individuais antes da votação final em plenário.
O último processo de apontamento de um deputado para a Corte de Contas aconteceu em 2022, quando o então presidente do Parlamento, Agostinho Patrus, foi escolhido. Ele tomou posse no ano seguinte.