Desagarra, Belvedere e região: os abandonados precisam reagir

A ideologia política, mais uma vez, está em campo e ameaça a solução de um problema que ninguém aguenta mais
Vila da Serra, em NL, e Belvedere, em BH, separados por um "muro"
Foto: (Reprodução/Associação dos Moradores do Belvedere)

Décadas de desenvolvimento acelerado e absoluta falta de planejamento urbano trouxeram o caos para dezenas de milhares de moradores da região limítrofe entre Belo Horizonte e Nova Lima, além de outras dezenas de milhares de estudantes, trabalhadores, pacientes, comerciantes e visitantes em geral, que precisam trafegar pelos bairros Belvedere, Vila da Serra e Vale do Sereno em busca das escolas, hospitais e comércios locais, ou ainda, simplesmente tentando ir e vir de suas casas.

Prefeituras passadas de Nova Lima e Belo Horizonte, governo de Minas e União, em conjunto ou isoladamente, abdicaram de suas premissas fundamentais de ordenamento, fiscalização e regulação urbana, fechando os olhos para uma tragédia sabida, anunciada e denunciada por todos, enquanto entupiam seus cofres com o dinheiro fácil do IPTU, ISS, ICMS e outras formas de confisco, travestidas de impostos, sem, obviamente, investirem adequadamente em infraestrutura e segurança viárias para a população.

Quase que por milagre, após muita pressão popular e boa vontade política de algumas autoridades cientes de seus deveres e obrigações, notadamente os prefeitos Fuad Noman, de Belo Horizonte, falecido recentemente, e João Marcelo, de Nova Lima, com o apoio fundamental do Ministério Público de Minas Gerais, sob a liderança, à época, do Procurador-Geral Jarbas Soares, um promissor plano de mobilidade e preservação ambiental foi costurado e celebrado, em conjunto, com a participação do governo federal.

Sonho ou realidade?

Além de vias rápidas, alças de ligação e passarelas para pedestres, parques, matas e trilhas preservadas estão contempladas em um arrojado e fundamental projeto viário, que irá desafogar sobremaneira o trânsito na região, trazendo um mínimo de conforto para quem vive, trabalha, estuda, circula ou apenas passa pelo local. Parece bom demais para ser verdade? Parece. Trata-se apenas de um sonho? Talvez. Se depender dos sedizentes ambientalistas, de políticos oportunistas e alguns egoístas, sim, será apenas um sonho.

Por quê? Bem, eu explico. O referido projeto estruturante está a poucos passos de seguir para a aprovação definitiva pelos órgãos competentes. Porém, uma etapa anterior é mandatória: a segunda audiência pública, que será realizada no próximo dia 30 de abril, às 19h, no CEI Imaculada Conceição, no Funcionários, em BH. Na audiência anterior, realizada em Nova Lima, em dezembro passado, no Colégio Santo Agostinho, um pequeno grupo de pessoas contrárias, altamente organizado, criou uma série de “senões”.

Obviamente, são legítimas as opiniões e os interesses de todos, afinal, ninguém é melhor ou tem mais direitos que ninguém. Porém, quando as pessoas nem sequer moram no local; quando aparecem de vez em quando, apenas para aproveitar o bairro, e depois se mandam para suas casas; quando alegam questões ambientais mais fakes que uma nota de três reais; quando colocam os interesses individuais acima dos interesses coletivos; e quando, sobretudo, usam de truculência contra quem pensa diferente, tal legitimidade desaparece.

A vez e voz do cidadão

Recentemente, este mesmo pequeno e ruidoso grupo, por muito pouco não conseguiu impedir a duplicação das vias defronte ao BH Shopping e o viaduto sobre a BR 356. Após induzirem a engano o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes, só foram contidos pela espetacular mobilização de moradores locais, que após inúmeros alertas da imprensa se reuniram e, através de um “abaixo assinado”, convenceram as autoridades a dar sequência às obras.

Em um país com cultura política tão precária e, infelizmente, com uma sociedade pouco afeita à mobilização – salvo os sempre pequenos, ruidosos e organizados grupos ideológicos -, os interesses coletivos acabam sendo subjugados pela grita minoritária. Está na hora, pelo menos neste caso, de mudar o triste destino de quem sempre acaba prejudicado, mesmo pagando – caro! – a conta. Ou seja, nós, a parcela da sociedade que prefere ficar em casa, dizendo “Alguém tem de fazer alguma coisa” (desde que não seja eu). 

Ou você leitor amigo, leitora amiga, dedica duas horas de seu tempo uma única vez e em único dia (30/04) e exige ser ouvido, ou restará condenado às mesmas duas horas, ou mais, todos os demais dias. Compareça à audiência pública, manifeste seu voto e faça valer seu direito de cidadão, ou melhor, de morador ou frequentador local prejudicado. Do contrário, um “ambientalista” e um João de Barro histriônicos, que não moram na região, com suas falácias e gritos, vencerão, outra vez, a voz (que se omitiu) de quem é prejudicado, ou seja, da razão.

Assista ao vídeo abaixo e entenda o tamanho do problema:

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