Os valores de empresas públicas mineiras apresentados nessa quinta-feira (8) pelo vice-governador Mateus Simões (Novo), na Assembleia Legislativa, durante a apresentação dos projetos ligados ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), já são alvo de questionamentos por parte de deputados estaduais do bloco de oposição ao governador Romeu Zema (Novo).
Segundo apurou O Fator, parlamentares oposicionistas esperam que estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comprovem que a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), por exemplo, acumulam valores de mercado superiores aos cálculos divulgados pelo vice-governador.
De acordo com os números apresentados por Mateus Simões durante a audiência dessa quinta, a Codemig está avaliada entre R$ 22 bilhões e R$ 32 bilhões, enquanto a fatia do estado no bolo acionário da Cemig vale cerca de R$ 7 bilhões.
Aposta dos oposicionistas, o BNDES foi escalado pelo Ministério da Fazenda para fazer os laudos que vão determinar quanto vale cada uma das empresas oferecidas pelos participantes do Propag.
Interlocutores ligados à coalizão de oposição acreditam que estudos do BNDES podem mostrar que o valor de mercado da Codemig é superior a R$ 40 bilhões. Nesse cenário, a Cemig poderia valer R$ 20 bilhões.
Um estudo divulgado por O Fator nessa quinta-feira (8) mostra que, se Minas abater 20% do passivo por meio de federalizações, o desembolso total com a renegociação pode chegar a R$ 328,48 bilhões ao longo de 30 anos.
A dívida do estado junto à União está em aproximadamente R$ 162,9 bilhões. Para obter um desconto de 20% com o repasse de ativos, seria preciso apresentar uma carteira com bens que, juntos, somam R$ 33 bilhões
Segundo interlocutores do governo federal, caso fique comprovado que Codemig e Cemig custam mais do que os valores apresentados pelo governo Zema, a inclusão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) no pacote oferecido pela administração estadual para a amortização da dívida do Estado com a União passaria a ser dispensável
Conforme já mostrou O Fator, fontes ligadas à gestão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já informaram ao governo de Minas que a União não enxerga como vantajosa a federalização da Copasa, avaliada em aproximadamente R$ 4 bilhões.
Nessa quinta, aos deputados estaduais, Mateus Simões chegou a sugerir a privatização da empresa de saneamento e a transferência, à União, do montante arrecadado com a transação.
“Se o governo federal disser que não aceita a federalização da empresa em 30 de novembro, temos a possibilidade de oferecer ao governo federal o dinheiro da privatização da empresa em troca da empresa que ele não aceitou. Se o governo recusar a empresa, que possamos oferecer o dinheiro da empresa”, falou.