Estudos da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do IBGE apontam que o desempenho da indústria extrativa foi o principal fator de impulso para a produção industrial de Minas Gerais no início de 2025. Em março, o setor avançou 1,7% em relação ao mês anterior e 3,3% na comparação com o mesmo período de 2024, enquanto a indústria geral cresceu 0,9% e 1,8%, respectivamente. No contexto dos principais setores econômicos, comércio e serviços também apresentaram avanços moderados, mas com oscilações e resultados desiguais entre as atividades.
A indústria de Minas Gerais registrou, em março de 2025, alta de 0,9% em relação a fevereiro, resultado impulsionado quase exclusivamente pela indústria extrativa, que avançou 1,7%. A indústria de transformação, por sua vez, recuou 3,0% no mesmo período. No cenário nacional, a indústria geral subiu 1,2% no mês, com destaque também para a indústria extrativa (2,8%).
Na comparação anual, a indústria extrativa mineira manteve protagonismo ao crescer 3,3%, enquanto a indústria de transformação avançou 1,2%. Dos 13 segmentos da indústria de transformação pesquisados, apenas quatro apresentaram altas no mês: celulose e papel (8,9%), bebidas (7,4%), derivados do petróleo (1,3%) e fumo (10,5%). Os maiores recuos ocorreram em alimentos (-6,5%), metalurgia (-3,3%) e produtos químicos (-9,2%).
No acumulado do primeiro trimestre, Minas Gerais apurou avanço moderado de 0,3% na indústria geral, com recuo de 3,5% na indústria extrativa e alta de 1,9% na transformação. Nacionalmente, a produção industrial cresceu 1,9% no período. Entre os destaques positivos em Minas Gerais estão produtos químicos (16,7%) e veículos (15,7%), enquanto metalurgia (-3,4%) e máquinas e equipamentos (-10,6%) tiveram os desempenhos mais negativos.
Comércio: Varejo avança em ritmo superior ao nacional
O comércio varejista restrito de Minas Gerais cresceu 1,8% em março, acima do resultado nacional (0,8%). O varejo ampliado, que abrange veículos e materiais de construção, avançou 1,5% no Estado. No trimestre, o varejo restrito mineiro cresceu 1,8% e o ampliado, 1,3%, superando os resultados do Brasil (1,2% e 1,1%, respectivamente).
Na análise dos segmentos, combustíveis e lubrificantes tiveram alta de 4,3% em março e 3,2% no trimestre. Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 8,7% no acumulado do ano, enquanto equipamentos e materiais para escritório caíram 33,8%. Em relação a março de 2024, o varejo restrito recuou 0,5% e o ampliado, 1,3%, com destaque para as retrações em materiais de escritório (-39,7%), móveis e eletrodomésticos (-4,1%) e artigos farmacêuticos (-3,2%).
Serviços: Crescimento concentrado em informação e comunicação
O setor de serviços em Minas Gerais permaneceu estável em março, com avanço de 0,9% no trimestre. O crescimento estadual no período destaca os serviços de informação e comunicação (3,5%) e os serviços prestados às famílias (2,9%). Por outro lado, outros serviços recuaram 7,9%. No Brasil, os serviços cresceram 2,4% no trimestre, impulsionados principalmente por informação e comunicação (6,7%). Atividades turísticas em Minas Gerais avançaram 1% em março e 0,8% no acumulado; nacionalmente, o segmento cresceu 5,4% no trimestre.
Cenário e perspectivas
O desempenho da indústria extrativa, com crescimento expressivo em março, foi fundamental para impedir um resultado mais fraco no setor industrial mineiro. No entanto, o recuo acumulado no trimestre sinaliza volatilidade e incerteza para o segmento. Para o restante do ano, a Fiemg aponta que a alta dos juros, o crédito restrito e a inflação persistente continuam limitando o avanço da produção industrial e do consumo. A adoção de tarifas internacionais sobre produtos brasileiros também contribui para um ambiente de baixa previsibilidade.