A casca de banana das redes

Mulher utiliza aparelho celular

De prefeito fazendo anúncio deitado em caixão a deputado fingindo estar no Big Brother e governador fazendo dancinha, todo tipo de presepada tem surgido nas redes de políticos em busca do engajamento a qualquer custo. E se no mandato o bizarro é capaz de comprometer a credibilidade, em eleições a experiência tende a ser fatal.

Em 2024, o prefeito de Fortaleza e candidato à reeleição, José Sarto, fez uma campanha que seguiu a trend do momento. Sua comunicação o transformou no “prefeito zoeiro”, infantilizado, dançando nas ruas com abuso de efeitos artificiais, de óculos escuros e falando gírias de periferia. A receita mal copiada de João Campos, o jovem prefeito do Recife, transformou Sarto, médico conceituado e político experiente, em um estranho personagem.

A “gozação sem graça” com o eleitor fortalezense, que via no então prefeito alguém ausente e sem pulso, teve resultado desastroso. Sarto entrou no hype, virou meme, mas não virou votos. Preso no personagem, refém de sua própria tática, teve a campanha mais cara entre os concorrentes e nem sequer alcançou o segundo turno. A reprodução do modelo, empacotado em conjuntura diversa, fez com que ele se tornasse o primeiro prefeito na história da capital cearense, com a máquina nas mãos, a não ser reeleito.

Então, para ser notado, é preciso repetir a trend da moda nas redes? A resposta é não. Pois não adianta copiar experiências se não forem adequadas ao contexto e à identidade pessoal, na forma e no discurso. Afinal, se receita pronta vencesse eleição, todas terminariam empatadas.

Para se adaptar aos tempos de economia da atenção e ser diferente em meio a tantos estímulos, não precisa se fantasiar, se expor indevidamente, imitar, nem passar ridículo. Se não tiver alma, liderança e verdade, o candidato produtor de conteúdo perde relevância quando confrontado com o produtor de benefícios.

Conectar a ação política em narrativas que promovam identificação, transformando a audiência em comunidade, demanda estratégia, método, autenticidade e, especialmente, propósito. Quem tem, não se limita ao que outros já fazem.

Na sociedade do espetáculo onde o entretenimento é a regra e o regime da visibilidade se torna imperativo, a casca de banana nas redes se transforma em um abacaxi amargo nas urnas.

Baiano de Salvador, é economista, jornalista, Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), especialista em Comunicação Política pela Asociación Civil Estudios Populares de Argentina (ACEP), com aprimoramentos em estratégia política na The Graduate School of Political Management (George Washington University). Trabalhou na Presidência da República durante dois mandatos e participa há mais de 20 anos nos níveis estratégicos de campanhas eleitorais e planejamentos de comunicação legislativa e governamental em todo o Brasil. As recentes de maior sucesso foram as eleições à presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e as duas vitórias ao Governo de Minas, coordenando a campanha do governador Romeu Zema, que em 2018 saiu de 2% de intenções para 72% de votos. E em 2022, novamente com a coordenação da STRATTEGY, venceu a reeleição ainda no 1º turno. Vencedor de premiações nacionais e internacionais que destacaram os trabalhos desenvolvidos pelos resultados alcançados com originalidade, criatividade e diferenciação na comunicação política, eleitoral e governamental.

Baiano de Salvador, é economista, jornalista, Mestre em Comunicação e Sociedade pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Brasília (UnB), pós-graduado em Gestão Pública pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), especialista em Comunicação Política pela Asociación Civil Estudios Populares de Argentina (ACEP), com aprimoramentos em estratégia política na The Graduate School of Political Management (George Washington University). Trabalhou na Presidência da República durante dois mandatos e participa há mais de 20 anos nos níveis estratégicos de campanhas eleitorais e planejamentos de comunicação legislativa e governamental em todo o Brasil. As recentes de maior sucesso foram as eleições à presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) e as duas vitórias ao Governo de Minas, coordenando a campanha do governador Romeu Zema, que em 2018 saiu de 2% de intenções para 72% de votos. E em 2022, novamente com a coordenação da STRATTEGY, venceu a reeleição ainda no 1º turno. Vencedor de premiações nacionais e internacionais que destacaram os trabalhos desenvolvidos pelos resultados alcançados com originalidade, criatividade e diferenciação na comunicação política, eleitoral e governamental.

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