Justiça suspende venda de usinas da Cemig e exige referendo popular

Decisão, da 1ª Vara da Fazenda Pública de BH, atinge lote de ativos negociado pela energética por R$ 52 milhões
Fachada de prédio da Cemig
Venda de ativos da Cemig é alvo de ação judicial. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a suspensão da venda de quatro usinas hidrelétricas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A decisão, assinada no último dia 15 pelo juiz Ricardo Sávio de Oliveira, da 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, exige que qualquer privatização de ativos da estatal passe por referendo popular, conforme prevê a legislação estadual.

O lote de ativos alvo da decisão foi negociado pela empresa em dezembro do ano passado, por R$ 52 milhões. A transação englobou as usinas de Marmelos (Juiz de Fora), Martins (Uberlândia), Sinceridade (Manhuaçu) e a pequena central hidrelétrica (PCH) de Machado Mineiro, na cidade de Águas Vermelhas. A estatal afirmou a O Fator que recorrerá da decisão.

“A Cemig, na qualidade de holding, é um conjunto de empresas, em que uma empresa pública é a proprietária. Assim, as empresas pertencentes a esta não deixam de ser empresa pública de economia mista, vez que a empresa controladora o é. Desse modo, sua desestatização se sujeita a preceito constitucional, ou seja, é necessária a submissão do projeto de venda a referendo popular, perante a Assembleia Legislativa estadual. Se assim não o fosse, a empresa pública correria o risco de, aos poucos e separadamente, ter vendido todos os seus ativos, de forma que, ao final, não sobrasse patrimônio público, o que, na prática, poderia constituir desestatização da concessionária”, lê-se em trecho da decisão.

O pedido de suspensão das vendas foi apresentado por Everson de Alcântara Tardeli e Eduardo Armond Cortes de Araújo. Os autores da peça judicial alegam que o governo de Minas Gerais e a Cemig deram continuidade à venda dos ativos mesmo após a publicação de decisões anteriores determinando a paralisação dos trâmites. 

Outro lado

Em momento anterior da ação, a Cemig justificou que as usinas em questão representam apenas 0,32% do portfólio de geração da empresa e demandam investimentos que somam aproximadamente R$ 84 milhões, gerando custos anuais não compensados pela produção de energia. 

Segundo a defesa, a operação foi definida com base em análise de riscos e benefícios, visando a otimização do portfólio de ativos e a redução do risco de penalidades regulatórias.

A energética ainda afirmou que o edital não representava a alienação de subsidiárias, mas sim a “transferência onerosa de direito de exploração dos serviços de quatro usinas menores, através de leilão público”.

À reportagem, ao confirmar a intenção de recorrer da sentença, a energética afirmou que a alienação das usinas “está em conformidade com o planejamento estratégico da companhia”, que tem como objetivo “alocar recursos de forma prioritária em empreendimentos mais representativos para o parque gerador da empresa”.

“A Companhia reforça que não está reduzindo sua estrutura, pelo contrário, os recursos adquiridos com a venda das pequenas hidrelétricas estão sendo reinvestidos em ativos maiores, mais eficientes e alinhados à transição energética. Um exemplo disso são as construções das usinas solares de Boa Esperança e Jusante que, juntas, terão potência instalada superior a 150 MW, o que representa mais de três vezes a capacidade de geração das usinas de pequeno porte que foram a leilão” lê-se em posicionamento da Cemig.

Citado como réu, o governo de Minas questionou a legitimidade de sua inclusão no processo e argumentou que o caso se restringe à esfera da gestão administrativa da Cemig.

O governo Zema, cabe lembrar, tenta aprovar junto à Assembleia Legislativa a transformação da Cemig em uma corporação, pulverizando as fatias acionárias da companhia no mercado. Atualmente, o estado possui 17,5% do capital da energética. O Palácio Tiradentes considera repassar esse percentual à União no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), criado para renegociar os débitos dos entes federativos junto a Brasília (DF).

Leia também:

Prefeito de Sabará prepara saída do Republicanos após desgaste interno

STF marca, pela terceira vez, julgamento sobre reabertura de inquérito contra deputado mineiro

CNN encerra 2025 como maior canal de notícias do país

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse