As duas teses sobre o papel de Gleide Andrade no acordo que ungiu a candidatura de Edinho Silva no PT

Tesoureira do partido, a mineira era contra uma chapa liderada pelo ex-prefeito de Araraquara, mas composição mudou o cenário
Qualquer que tenha sido o acordo entre os setores da CNB, o episódio levou à retirada de Washington Quaquá da disputa. Foto: Roberto Stuckert Filho

O acordo que selou a unidade da maior corrente interna do PT, a “Construindo um Novo Brasil” (CNB), em prol da candidatura do ex-prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva, à presidência nacional do partido, ainda é cercado de dúvidas.

A versão que circulou nos bastidores logo após o anúncio da união do grupo era de que a permanência da mineira Gleide Andrade na secretaria nacional de Planejamento e Finanças do PT teria sido a moeda de troca usada para pacificar diferentes alas da CNB. A tese, entretanto, é refutada por outros interlocutores petistas, que avaliam ser difícil a permanência de Gleide no controle do caixa do partido em caso de vitória de Edinho.

Aliada da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, Gleide Andrade tem longa trajetória em cargos na cúpula petista. Nascida em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, ela já foi secretária de Finanças do diretório estadual e, depois, assumiu o posto de secretária nacional de Organização da legenda.

Na disputa interna da CNB sobre o candidato da corrente à presidência do PT, Gleide foi a “ponta de lança” do grupo de Gleisi, tendo vocalizado diretamente ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o descontentamento com a escolha de Edinho para capitanear a chapa.

Qualquer que tenha sido o acordo entre os setores da CNB, o episódio levou à retirada de Washington Quaquá da disputa. Vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá (RJ), Quaquá era o nome patrocinado pelo grupo de Gleisi para enfrentar Edinho. Com a desistência, protocolada no último dia do prazo de registro de chapas, a candidatura única consolidou o favoritismo da CNB, que controla cerca de 55% do diretório nacional.

Enquanto as articulações seguem, Edinho e Gleisi negam que a composição tenha envolvido cargos na Executiva. A reportagem tentou ouvir a dirigente, bem como integrantes da CNB mineira, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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