Via expressa, rodovia ou avenida urbana? Prefeitura de BH discute futuro do Anel Rodoviário enquanto espera por municipalização

Decisão sobre o perfil da via deve considerar também impactos na mobilidade urbana e a conveniência para moradores e usuários
Anel Rodoviário
Anel Rodoviário possui cerca de 26 quilômetros de extensão, interligando algumas das principais vias da cidade. Foto: PBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ainda discute internamente qual deve ser o perfil do Anel Rodoviário após a anunciada municipalização do trecho, prevista para ocorrer ainda este mês, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Entre as opções analisadas, estão a manutenção da via como rodovia, a transformação em via expressa ou a adaptação para que se torne uma via urbana típica.

Segundo interlocutores da administração municipal, a definição do caráter da via é um ponto central para a integração do Anel com a malha urbana da capital mineira. Caso a opção seja pela transformação da rodovia em uma avenida urbana, seriam necessários investimentos em infraestrutura, incluindo sinalização adequada, implantação de calçadas, travessias para pedestres, faixas exclusivas para ônibus e até ciclovias.

Essa mudança, ainda em debate, abriria espaço para novas oportunidades de desenvolvimento imobiliário e comercial nas áreas lindeiras à via, com possibilidade de ampliação da arrecadação de impostos e atração de novas atividades econômicas para a região.

Por outro lado, a manutenção do perfil atual, com características de rodovia, demandaria menos adaptações e investimentos imediatos, mantendo o atual padrão operacional para trânsito mais rápido de veículos, mas limitaria o potencial de conexão e crescimento urbano ao redor do traçado.

Segundo o Dnit, a soma dos recursos orçamentários aplicados para a manutenção do Anel Rodoviário de Belo Horizonte foi de aproximadamente R$ 29,5 milhões em 2023. No ano passado, o investimento foi de cerca de R$ 34,7 milhões conforme a medição anual dos contratos de manutenção.

A transferência de responsabilidade do Anel Rodoviário para o município é vista como um passo importante para a segurança viária e para a gestão autônoma do tráfego local. Atualmente, o Anel Rodoviário de Belo Horizonte possui cerca de 26 quilômetros de extensão, interligando algumas das principais vias da cidade e servindo de corredor para o tráfego de longa distância e de carga pesada.

A decisão sobre o perfil da via, segundo fontes da prefeitura, deve considerar também os impactos na mobilidade urbana e a conveniência para moradores e usuários. Não há prazo definido para o anúncio da decisão final quanto ao modelo de gestão para o Anel Rodoviário, mas o tema é tratado com prioridade pelas áreas técnicas da prefeitura e deverá passar por discussão com representantes da sociedade civil e especialistas em planejamento urbano.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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