A possibilidade de ampliação dos embargos internacionais à carne de frango pode retirar até R$ 925,5 milhões do valor adicionado à economia de Minas Gerais, segundo relatório da Fundação João Pinheiro (FJP) elaborado a partir de dados do IBGE e projeções para 2024.
O alerta surge diante do avanço da gripe aviária no Brasil e do anúncio, nesta quinta-feira (22), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de que 19 países e a União Europeia – que reúne 27 nações – suspenderam a importação de carne de aves de todo o território brasileiro.
A avicultura mineira tem papel relevante na produção nacional de carne e ovos. Entre 2018 e 2023, o efetivo de aves no estado manteve-se estável, com cerca de 121 milhões de cabeças, embora a participação de Minas Gerais no cenário nacional tenha caído de 8,27% para 7,68% no período, enquanto o Brasil registrou crescimento de 7,6% no número total de aves.
A produção de ovos de galinha em Minas Gerais cresceu 7,9% entre 2018 e 2023, totalizando 431 milhões de dúzias no último ano. No mesmo período, houve queda de 9,2% na produção de ovos de codorna. O valor da produção de ovos de galinha no estado mais que dobrou nos últimos cinco anos, saltando 110,7% para R$ 2,9 bilhões, enquanto o de ovos de codorna cresceu 94%, chegando a R$ 86,6 milhões.
No início de 2024, tanto a produção de ovos quanto o abate de frangos vinham em tendência de alta, embora ambos tenham sofrido leve recuo no último trimestre. A participação de Minas Gerais no total nacional, tanto na produção de ovos quanto no abate de frangos, apresentou elevação ao longo do ano.
Cenários
O relatório da FJP simulou dois cenários de impacto de embargos à exportação causados pelo surto de gripe aviária:
- Cenário 1 – Redução de 8,7% nas exportações: impacto de R$ 279,3 milhões negativos no valor adicionado estadual, reflexo do embargo imposto por países como África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Malásia, México, Uruguai e União Europeia.
- Cenário 2 – Redução de 27% nas exportações: impacto potencial de R$ 925,5 milhões negativos, considerando uma situação extrema de embargo total às exportações de carne de aves.
Esses valores consideram apenas o valor adicionado à economia, não o valor bruto da produção. Os cálculos foram realizados a preços constantes de 2024, com base na Matriz Insumo-Produto estadual de 2019.
Em 2019, o setor de abate e produtos de carne representava 1% do valor adicionado total de Minas Gerais. Naquele ano, as exportações do segmento chegaram a R$ 3,8 bilhões, o equivalente a 8,1% da demanda total por esses produtos no estado. Em 2024, a carne de aves correspondeu a 27% do total de carnes exportadas por Minas Gerais, e a 1,2% das exportações totais do estado.
Até o momento, 64 mercados aplicaram algum grau de restrição à carne de aves brasileira. Entre eles, 20 (incluindo a União Europeia) suspenderam totalmente as importações do produto. Alguns países, como Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão restringiram o bloqueio apenas ao Rio Grande do Sul, onde foi identificado o foco inicial da gripe aviária numa granja comercial.
O Ministério da Agricultura reforçou que não há risco para a saúde no consumo de carne e ovos de aves.
O crescimento da avicultura mineira tem impacto direto e indireto na economia estadual, empregando milhares de trabalhadores e movimentando cadeias como a de insumos, logística e comércio. De acordo com o IBGE, a produção trimestral de ovos de galinha em Minas Gerais chegou a 119,54 milhões de dúzias no terceiro trimestre de 2024, ante 101,77 milhões no início do ano. No abate de frangos, o estado atingiu 123,17 milhões de cabeças no terceiro trimestre, frente a 118,83 milhões no primeiro trimestre.