Imigração ilegal para EUA motivou recriação de consulado do Brasil no México

Mauro Vieira citou “crescimento substantivo do número de brasileiros que ingressam como turistas” no México para entrar nos EUA
Embaixada do Brasil no México
A embaixada do Brasil no México: atendimento a imigrantes ilegais. Foto: Itamaraty

O crescimento no número de imigrantes ilegais brasileiros para os Estados Unidos motivou a recriação do Consulado-Geral do Brasil na Cidade do México, determinada em decreto assinado pelo presidente Lula em março deste ano.

A informação foi obtida por O Fator via Lei de Acesso à Informação.

“Registrou-se, nos últimos anos, crescimento substantivo do número de brasileiros que ingressam como turistas no território mexicano tendo como objetivo final a entrada nos Estados Unidos”, diz trecho da exposição de motivos assinada pelo ministro Mauro Vieira e dirigida a Lula.

“Entre 2022 e 2024, por exemplo, quase 100 mil brasileiros foram detidos na fronteira México-EUA”.

Trecho da exposição de motivos assinada por Mauro Vieira e enviada ao presidente Lula.

Esse texto até agora não era público. Um comunicado da Agência Gov publicado na época do decreto cita “proteger e prestar assistência aos cidadãos brasileiros”, mas sem referência aos imigrantes.

O Consulado-Geral do Brasil na Cidade do México foi criado em 2008, no segundo mandato de Lula, e extinto em 2021, no governo Bolsonaro.

“Argumentou-se, na ocasião, que a extinção dessa representação – com a consequente transferência dos serviços consulares para a Embaixada – resultaria em ganhos na racionalização administrativa e na prestação de serviços às comunidades brasileira e estrangeira no México”, escreveu Vieira. “Contudo, essa expectativa não se concretizou”.

O texto de Mauro Vieira alega ainda que a reabertura do Consulado-Geral “não geraria custos de instalação”, porque “o novo posto funcionará nas dependências atualmente ocupadas pelo setor consular da Embaixada na Cidade do México e será lotado com servidores e auxiliares locais destacados da Embaixada”.

Mas um parecer da AGU, que também embasou o decreto, mostra que isso não é totalmente verdade.

“[O] impacto orçamentário seria de USD108.000,00 [108 mil dólares por ano], correspondente ao aluguel de residência oficial para o chefe do posto na dotação”, diz o parecer de Cláudio Dias, procurador da AGU e coordenador-geral de Direito Administrativo no Itamaraty.

“[A]parentemente a área proponente não se desincumbiu adequadamente de sua atribuição relacionada à estimativa de impacto orçamentário”.

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