Uma decepção com nome e sobrenome: Romeu Zema

Tenho por bem-estar emocional o hábito de não me afeiçoar a políticos. Mas confesso que, dois ou três, me fogem à regra
O governador Romeu Zema
Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

A gente só se decepciona com quem ou o que gosta. Quando a Seleção Brasileira perde uma Copa do Mundo – bons tempos em que ao menos na final a gente chegava -, meu dia não muda. Mas quando o Galo perde, sei lá, para a Caldense, na estreia do Campeonato Mineiro, fico noites sem dormir. 

Tenho por crença e hábito desconfiar de políticos. Metaforicamente falando, é claro, acho que têm de apanhar de manhã, de tarde e de noite, sete dias por semana, trinta dias por mês, sem descanso aos sábados, domingos e feriados.

Essa turma invade nossas vidas, promete que vai resolver tudo, pede nosso voto, leva nossa grana, entrega muito pouco ou quase nada e ainda quer afago? Sem chance. No máximo, em caso de bom e raro trabalho, o reconhecimento: parabéns! Obrigado? Uma ova! Não é favor algum, é obrigação.

Abduziram o Chico bento?

Tenho por bem-estar emocional a regra de não me afeiçoar a políticos. Mas confesso que, dois ou três, me fogem à regra. E eles sabem disso. Um, aliás, o prefeito Fuad Noman, faleceu. E não tenho o menor receio de dizer que Gabriel Azevedo e Mateus Simões – com seus erros e acertos, virtudes e defeitos, como todos nós – são dois de quem eu gosto muito. Atenção: gostar não significa, como jamais significou, não criticar. E a internet está aí para provar e comprovar.

Sempre tive simpatia por Romeu Zema. Nunca o achei brilhante, mas dentro do que o “mercado” – sobretudo o mineiro – oferece, é bem superior. Ou era. Porque esse Zema que passou a comer casca de banana, adotar o modo tosco vazio Cleitinho-Nikolas-Bolsonaro de ser, e agora fugir como criança medrosa de uma resposta óbvia, de superior não tem absolutamente nada. Ao contrário. 

Sim. Comparando sua gestão – que por si só já é muito boa – com a hecatombe petista de Fernando Pimentel, estamos no paraíso. Mas isso basta para eu continuar tendo simpatia pelo ex-simpático Chico Bento? Não. No way. Ou melhor, no fucking way

Ao ouvir este senhor negar a ditadura militar, para, em seguida, se esconder dentro do armário “Prefiro não responder”, senti uma profunda vergonha alheia e, é verdade, decepção. 

Repito: só nos decepcionamos com quem gostamos. Que pena, governador! Que pena.

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