A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Fecomércio MG em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Sesc, o Senac e sindicatos empresariais, revela que 86,9% dos consumidores de Belo Horizonte estavam endividados em maio de 2025. O índice representa uma leve redução de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior, mas demonstra que grandes parcelas da população seguem comprometidas financeiramente. O material foi divulgado nesta segunda-feira (9).
O indicador de contas em atraso permaneceu praticamente estável: 52% dos entrevistados declararam possuir dívidas pendentes, alta de 0,1 ponto percentual contra abril. Entre as famílias com renda até dez salários mínimos, esse percentual sobe para 53,2%, enquanto nas famílias de maior renda, o índice cai para 44,9%.
No que diz respeito ao principal vetor de endividamento, os números indicam que 94,2% dos consumidores têm compromissos com o cartão de crédito – instrumento que, conforme aponta o Banco Central, apresenta taxas de juros que chegam a ultrapassar 470% ao ano no rotativo.
A distribuição do nível de endividamento aponta, ainda, que:
- 45,4% dos entrevistados se consideram pouco endividados;
- 13,4% se declaram muito endividados.
Em relação ao comprometimento da renda, a pesquisa que 83,8% das famílias comprometem mais de 10% do orçamento mensal com dívidas. Para 24,8%, esse percentual ultrapassa 50%. O comprometimento médio da renda familiar com dívidas é de 32%.
Quanto ao risco de inadimplência, 21,3% das famílias acreditam que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso. Quando analisados apenas os consumidores com dívidas em atraso, esse percentual salta para 40,9%. Além disso, o tempo médio de atraso das dívidas alcança 61,8 dias, com 44,5% das famílias inadimplentes com contas atrasadas há mais de 90 dias.
A pesquisa destaca ainda que 78,2% das famílias endividadas possuem compromissos por pelo menos 90 dias, e 35,5% das famílias afirmam estar endividadas há mais de um ano. O tempo médio de comprometimento da renda com dívidas é de 7,7 meses.
Realizada com 1 mil consumidores de Belo Horizonte, maiores de 18 anos, a Peic definiu endividamento como a presença de contas ou dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, compra de imóvel e prestações de carro e seguros. Inadimplência refere-se ao não pagamento dessas dívidas em dia. O estudo fornece base para orientação do setor comercial e de serviços, especialmente diante do cenário de alta demanda por crédito.
Os dados projetando o endividamento de maio foram coletados nos últimos 10 dias de abril.
A metodologia garante margem de erro máxima de 3,5 pontos percentuais, sob nível de confiança de 95%. Esses dados consolidam o panorama financeiro das famílias de Belo Horizonte e embasam a tomada de decisão no comércio mineiro, que segue atento à estabilidade e ao elevado nível de comprometimento da renda dos consumidores da capital.