Os dados consolidados das exportações de Minas Gerais até maio de 2025 trazem um panorama ambíguo. No agregado, o estado exportou US$ 15,6 bilhões, número praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. Mas a estabilidade em valor encobre um movimento relevante: a queda expressiva nos volumes físicos embarcados. A dúvida é se é uma tendência futura.
O Sindiextra (Sindicato das Indústrias Extrativas de Minas Gerais), entidade que reúne importantes empresas do setor, em parceria com a Gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgou um detalhado estudo a respeito.
O total exportado em toneladas em geral caiu mais de 11%, sugerindo um cenário de compressão de margens, desaceleração global e perda relativa de competitividade, mesmo com a taxa de câmbio favorável ao exportador. Apesar disso, a espinha dorsal da balança comercial mineira segue firme: o setor mineral. Sozinho, ele respondeu por US$ 7,05 bilhões no acumulado do ano, quase metade das exportações totais do estado.

Embora esse valor represente uma queda de 29,3% em relação ao ano anterior, o volume físico exportado de minério de ferro caiu apenas 12,1%, o que indica que a principal causa da retração foi a baixa dos preços internacionais. Ainda assim, o minério de ferro continua sendo o carro-chefe das exportações de Minas, com US$ 4,79 bilhões movimentados até maio, desempenho que reafirma o papel central do setor na economia estadual.

A mineração, portanto, permanece como pilar estratégico. Mesmo com oscilações cíclicas de mercado, trata-se de uma atividade que combina escala, infraestrutura consolidada e posição geográfica privilegiada. Além disso, os dados mostram vitalidade em outras frentes do complexo mineral, como a metalurgia (com crescimento de 12,6% em valor exportado) e o ferro-nióbio, cuja receita aumentou levemente, alcançando US$ 790 milhões no período.

O contraponto vem da indústria de transformação e do setor de alimentos e bebidas, que registraram quedas tanto em valor quanto em volume. O desempenho agropecuário – especialmente do café – foi o único a destoar positivamente, crescendo 5,7% em valor, com destaque absoluto para a valorização da commodity no mercado internacional. Ainda assim, mesmo somados, os setores agro e de alimentos não superam o impacto estrutural da mineração no perfil exportador de Minas Gerais.

A conclusão que os números de 2025 mostram é que, mesmo em retração de receita, o setor sustentou quase metade das exportações do estado. O sinal é inequívoco: o futuro de Minas vai ao encontro de sua vocação mineral. Não se trata de desprezar outros segmentos, obviamente, mas é a mineração o pilar econômico mais robusto, integrado e duradouro do estado.