Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ficaram incomodados com uma reunião entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), e o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), nessa segunda-feira (16). O encontro, que aconteceu em Brasília (DF), teve o deputado estadual Cássio Soares, também filiado ao PSD, como um dos articuladores. Interlocutores próximos a Pacheco interpretaram a agenda como um sinal que contraria a articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ter o senador como candidato ao governo mineiro no ano que vem.
Se entrar na disputa pelo Palácio Tiradentes, Pacheco terá justamente Simões como oponente. Embora a reunião tenha sido convocada para debater a possibilidade de implantação de um gasoduto no Sul de Minas, a audiência foi classificada como uma agenda ocorrida em um momento inoportuno por aliados do senador, uma vez que Simões e o governador Romeu Zema (Novo) têm tecido críticas constantes ao governo Lula.
Antes da reunião entre Simões, Soares e Silveira, outros setores do PSD já haviam sinalizado convergência com lideranças da oposição a Lula.
O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, secretário no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, abriu espaço na propaganda partidária para Tarcísio e vem se distanciando de Lula. O PSD ocupa ministérios no governo federal, mas Kassab prioriza ações voltadas à campanha de Tarcísio, visto como alternativa bolsonarista ao Palácio do Planalto.
Rodrigo Pacheco, por outro lado, preferiu não participar da campanha partidária na TV.
Hipóteses à mesa
As incertezas no PSD têm levado Pacheco a avaliar a possibilidade de mudar de sigla. O senador já foi procurado por União Brasil, MDB e PSB, que sondaram para apoiá-lo na corrida pelo governo de Minas.
Alexandre Silveira, vale lembrar, tem atuado para viabilizar sua candidatura ao Senado, enquanto Cássio Soares mira o cargo de deputado federal. O presidente Lula já comunicou a Pacheco que, caso aceite se candidatar, terá autonomia para montar sua chapa eleitoral, inclusive sem a presença de nomes do PT.