Na última semana, fomos surpreendidos com a notícia de que a Taxa Selic foi a 15%. Mas, antes de tudo, se você não sabe, aqui vai uma breve explicação sobre o que é isso: a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para todas as demais taxas, desde financiamentos e empréstimos até os rendimentos de aplicações financeiras.
O quê, na prática, isso muda para você e para mim?
O crédito fica mais caro, ou seja, financiamentos, empréstimos, cartão de crédito, tudo fica mais caro. Como consequência, empresas e pessoas físicas tomam menos crédito, ou seja, expansão de lojas, fábricas e abertura de novos negócios caem.
Outro ponto é a tendência de redução de consumo, o que reflete na queda das vendas e também de bens de consumo duráveis. As empresas seguram contratações, o que é prejudicial para novos empregos e também para a economia como um todo.
Com os juros altos, muitos investidores migram para a renda fixa, preferindo aplicar em Tesouro Direto, LCIs, CDBs, dentre outros. Em resumo: a renda fixa sobe, o crédito trava, o consumo cai, o PIB desacelera, a bolsa desvaloriza e o desemprego sobe.
No Brasil, empreender é vocação, é arte, é suor, é entrega e dedicação. Diante dos desafios quase diários da economia brasileira, quais são as saídas que a alta da Selic pode trazer?
Empresas com caixa podem aplicar em títulos de renda fixa que rendem acima da inflação. O lucro dessas aplicações pode ajudar a compensar custos ou financiar expansões futuras sem recorrer a empréstimos.
Renegociação com fornecedores: empresas com bom capital de giro podem negociar um desconto na compra à vista e também oferecer parcelamentos mais atrativos aos clientes, ganhando espaço frente à concorrência que está “travada” no crédito.
Com a Selic alta, quem tem uma gestão financeira eficiente e processos otimizados sobrevive melhor. Empresas que conseguem operar com baixa dependência de capital externo (empréstimos) ganham em competitividade e conseguem praticar melhores preços.
A alta da Selic também pode ser uma oportunidade para reestruturar passivos antigos, trocar dívidas caras por alternativas com taxas fixas ou melhores garantias.
Embora a alta da Selic reduza o ritmo da economia e pressione os custos, o empreendedor que tem visão estratégica, reserva financeira e capacidade de adaptação pode transformar esse cenário em vantagem. A chave está em liquidez, eficiência e inovação.