Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) criticaram os movimentos de articulação política realizados pelo governador Romeu Zema (Novo) e pelo vice-governador Mateus Simões (Novo), que intensificaram contatos e discussões mirando as eleições de 2026 em Minas. Segundo interlocutores do senador, que avalia a possibilidade de disputar o governo estadual, há atualmente uma “precipitação do processo eleitoral” no estado.
As críticas se intensificaram após declarações de Simões sobre expectativas de contar com o PSD — partido de Pacheco — em uma eventual aliança. O vice-governador afirmou, durante um café da manhã com jornalistas, nesta segunda-feira (23), que quer ter a legenda como aliada. “O PSD é o maior partido da base. Tenho grandes expectativas de que a gente consiga caminhar junto.”
Simões também comentou a possibilidade — já discutida nos bastidores — de Pacheco deixar o PSD para ingressar em outra legenda. O vice-governador relatou que o tema é objeto de conversas com Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. “O que eu falo muito com o Kassab é que se o Pacheco sair, eu quero ser o primeiro a conversar com o partido sobre o futuro do partido em Minas Gerais. Mas por respeito ao Rodrigo, eu tenho que esperar. Não tem muito jeito de eu ficar conversando sobre o partido, com o único pré-candidato que foi lançado sentado dentro do partido. Ele vai sair? Tem que sair primeiro”, afirmou.
Entre os aliados do senador, as movimentações de Zema e Simões são interpretadas como ações voltadas exclusivamente para a eleição. Alguns classificam a postura dos representantes do Novo como “populismo desenfreado”.
Como já mostrou O Fator, Pacheco tem convites para se filiar a outros partidos. No início do ano, foi convidado para se filiar ao União Brasil – com anuência de lideranças do PP, partido da nova federação. O senador mineiro também foi sondado e convidado pelo PSB, agora comandado nacionalmente pelo prefeito de Recife, João Campos. Apesar das “propostas”, Pacheco ainda não se posicionou sobre deixar o PSD.
O cenário de intensas articulações inclui também conversas de Simões com partidos como PL, PP e União Brasil, visando possíveis composições na chapa majoritária para o governo estadual. O vice-governador declarou estar pronto para debater a participação dessas legendas, inclusive na indicação para as vagas ao Senado.
A candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo mineiro, embora ainda não confirmada, é considerada possível tanto por aliados quanto por adversários. O nome do senador é citado frequentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como seu candidato em Minas.