Setores ligados à análise de estatísticas e ao cruzamento de dados vão ganhar protagonismo no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). É o que aponta a resolução que oficializou a reestruturação da máquina administrativa da Corte. O documento, publicado na terça-feira (24), gerou o redesenho do organograma de diretorias e o surgimento de coordenadorias voltadas a temas como políticas públicas, licitações, obras e pessoal — todas operando sob uma lógica integrada.
A medida dá corpo ao plano antecipado pelo conselheiro Durval Ângelo, que, ao assumir a presidência do TCE-MG, em fevereiro, prometeu modernizar a área finalística da Corte e transformá-la em um centro de excelência analítica.
A promessa sai do papel com a consolidação de setores como a Diretoria de Fiscalização Integrada e Inteligência e o Núcleo de Inteligência em Dados — ambos com atuação cruzada e foco em análise preditiva.
A avaliação é de que o Tribunal tenta virar a chave do modelo tradicional de fiscalização, saindo do controle meramente reativo para uma atuação mais estratégica, antecipando riscos e orientando gestores antes que o problema estoure.
“A nova estrutura busca ampliar a capacidade do Tribunal de atuar de forma preventiva, tempestiva e orientada para resultados”, diz, a O Fator, a superintendente de Controle Externo, Jaqueline Somavilla.
“A criação de diretorias especializadas e dos núcleos de inteligência, planejamento, controle de qualidade e inovação permitirá ao TCE-MG desenvolver diagnósticos mais precisos e intervenções mais assertivas”, completa.
Seleção de alvos ganha critério técnico e base de dados
A mudança afeta também a forma como o TCE decide onde vai atuar. A seleção de alvos — que antes dependia mais da experiência dos auditores — agora será guiada por critérios objetivos, como materialidade, risco, relevância e oportunidade. O filtro será feito a partir de uma base de dados cruzada e indicadores internamente estruturados.
“A implantação dos núcleos de planejamento, controle de qualidade e inovação tem possibilitado o aprimoramento dos nossos manuais e fluxos de trabalho”, explica Jaqueline.
A ideia é usar os novos núcleos para detectar padrões de risco e acionar as diretorias técnicas com informações mais refinadas.
“Esses núcleos atuarão de forma articulada com as demais diretorias técnicas por meio do cruzamento de dados, da detecção de padrões e indícios de irregularidades, que podem subsidiar ações de fiscalização mais direcionadas”, pontua a superintendente.
Capacidade técnica, reforço humano e concurso no radar
Embora ambiciosa, a reestruturação foi montada dentro do que o Tribunal já tinha disponível em pessoal.
“Em um primeiro momento, a prioridade foi a realocação estratégica dos servidores e a capacitação das equipes para atuação nas novas áreas. Mas, ciente da necessidade de ampliação da força de trabalho, o Conselheiro-Presidente anunciou que estão sendo adotadas medidas para a realização de um concurso público”, projeta Jaqueline.
