Procuradoria de BH valida corte de ponto de grevistas, mas deixa margem para reposição de horas

Em caso de negociação formal entre as partes, o desconto no salário fica suspenso
Os trabalhadores da rede municipal de educação estão de greve desde o dia 9 de junho. Foto: PBH/Divulgação PBH/Divulgação

Uma nota técnica emitida pela Procuradoria-Geral do Município de Belo Horizonte (PGM) corrobora o corte de salário dos trabalhadores da educação que paralisaram as atividades, mas abre margem para negociação entre as partes. O parecer baseia-se no entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF), que considera a greve uma suspensão do vínculo de trabalho, tornando legal o desconto em folha.

A nota técnica foi publicada em 25 de junho. O documento, assinado pelo procurador-geral Hércules Guerra, cita o Recurso Extraordinário (RE) 693.456, julgado com repercussão geral sob o Tema 531. Nesse julgamento, o STF fixou tese segundo a qual a administração pública pode descontar os dias de paralisação, a não ser que haja acordo formal de compensação de horas não trabalhadas.

“Isso significa que a administração e os servidores podem negociar a reposição das horas ou dias parados. Se houver um acordo formal para que o trabalho seja compensado em datas futuras, o desconto na remuneração deixa de ser obrigatório”, diz trecho do texto.

O corte no ponto foi anunciado na sexta-feira (27) pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil). Os profissionais da educação estão paralisados desde 9 de junho.

Liminar negada

Na sexta, o desembargador Leopoldo Mameluque, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou liminar solicitada pela Prefeitura de BH para interromper a greve dos trabalhadores da rede municipal de ensino. O magistrado também indeferiu a solução alternativa proposta pelo Executivo municipal, que pleiteava que ao menos 80% dos trabalhadores tivessem de retomar as atividades educacionais.

A categoria, liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), reivindica recomposição salarial de 6,27%, retroativo a janeiro. Já a prefeitura oferece recomposição de 2,49%.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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