A direção nacional do PT rejeitou, por 58 votos contra 32, o registro de candidatura da deputada federal Dandara Tonantzin à à presidência do diretório estadual do partido. A votação aconteceu em reunião dessa terça-feira (1), em Brasília, que contou ainda com 3 abstenções. A decisão não cabe recurso.
O resultado da votação corrobora decisão anterior, que também rejeitou o registro de Dandara por 15 votos a 14, sustentando que a dívida de R$ 132 mil com o partido foi quitada apenas após o prazo estabelecido no regulamento das eleições internas do PT, que exigia a regularização até 29 de maio.
Dandara afirma que tentou realizar o pagamento dentro do prazo, mas que o valor — considerado elevado — foi estornado pelo banco, exigindo uma nova operação dias depois.
A parlamentar apresentou comprovantes à Comissão de Organização Eleitoral (COE) e seguiu em campanha, mesmo após o nome ser removido do Sistema de Processo de Eleições Diretas (SISPED).
Com a decisão do diretório nacional, a Secretária Nacional de Planejamento e Finanças do PT, Gleide Andrade, leva a melhor na disputa velada entre ela e o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que hoje “comanda”, por meio de um aliado, o deputado estadual Cristiano Silveira, a legenda estadual.
Em reposta a O Fator, Dandara criticou a decisão, apontando que a direção nacional teria substituído, de última hora, de cerca de 20 membros titulares do Diretório Nacional, sem o consentimento dos mesmos, “para garantir maioria para o campo político de oposição à nossa candidatura”.
“Nós esgotamos todas as discussões nas instâncias partidárias, confirmando, através de um documento bancário, que o pagamento da referida dívida com o partido foi realizado, tornando apta a minha candidatura. Mas ficou nítido que a decisão hoje foi política, capitaneada por pessoas que apoiam a candidatura adversária a minha. Estamos analisando os próximos passos. Vamos lutar por justiça. Sigo mais candidata do que nunca. Vamos garantir que a disputa seja feita nas urnas.”
Tensão na disputa
Apesar de alegar regularidade, a candidatura de Dandara passou a ser alvo de resistência e ataques de adversários na disputa. O caso teve início ainda na Comissão de Organização Eleitoral e, nos bastidores, foi tratado como uma tentativa da Secretaria de Organização (SORG) e de parte da Executiva Nacional de minar a articulação de Reginaldo Lopes em Minas — deputado federal e principal padrinho político de Dandara.
A disputa se acirrou após a divulgação, em grupos de mensagens da militância petista, de uma imagem do sistema SISPED em que o nome de Dandara aparecia com a indicação “irregular: dívida de acordo”.
A candidatura da parlamentar foi lançada com apoio de Cristiano Silveira, que abriu mão de disputar a reeleição para apoiar a deputada federal.
A ofensiva contra Dandara coincidiu com um racha no grupo de apoio ao deputado estadual Ricardo Campos, que inicialmente era também pré-candidato ao comando do PT de Minas.
Enquanto o deputado federal Paulo Guedes e a secretária nacional Gleide Andrade articularam o apoio de Campos à candidatura de Leninha Alves, vice-presidente da Assembleia Legislativa, o chamado “Movimento PT” — liderado pelo vereador de BH, Pedro Rousseff, o secretário de Relações Interancionais do PT, Romênio Pereira, e o ex-deputado Virgílio Guimarães — desembarcou da aliança e declarou apoio público à candidatura de Dandara.
Nos bastidores, o acordo por Leninha envolveria a indicação de um nome para a Codevasf no Norte de Minas — o que foi efetivado.
Regimento, desgaste e críticas internas
Após o indeferimento pela COE, a Executiva Nacional se reuniu no dia 18 de junho e, sem julgar o mérito, optou por manter o regulamento do PED, empurrando o caso para a Câmara de Recursos.
Logo depois, porém, a própria Executiva questionou a legitimidade da Câmara, definindo que ela apenas opina, mas não vota.
Aliados de Dandara criticaram publicamente a demora na deliberação e apontaram tentativa de sufocar politicamente sua candidatura por meio de embargos administrativos.
A tensão também se refletiu em declarações públicas. Durante debate entre chapas, Dandara se referiu a “práticas fascistas” no PED mineiro — o que provocou reação imediata de Valter Pomar, dirigente petista, que afirmou que o termo foi mal utilizado e banaliza um conceito grave.
Em artigo publicado em suas redes, Pomar criticou duramente a conduta da parlamentar e afirmou que o atraso no pagamento era injustificável.
