Após Justiça validar candidatura de Dandara, PT adia eleição interna em Minas

Decisão foi tomada na noite deste sábado (5) pela Executiva nacional do partido, que vê ‘insegurança’ em cenário eleitoral
Eleição do PT mineiro foi adiada. Foto: Lula Marques/Agência PT

A direção nacional do PT decidiu, na noite deste sábado (5), cancelar a etapa mineira das eleições internas da legenda. O pleito estava agendado para este domingo (6). A decisão foi tomada horas após a deputada federal Dandara Tonantzin conseguir uma liminar judicial determinando a manutenção de sua candidatura à presidência do diretório estadual petista. Ainda não há nova data para a abertura das seções eleitorais.

A determinação da direção nacional do PT não atinge outros estados. Nas demais unidades federativas, filiados à legenda escolherão os presidentes nacional, estaduais e municipais. Em Minas, entretanto, as disputas nacional e municipais não acontecerão. Na prática, o resultado da corrida pela presidência nacional precisará esperar o desfecho em Minas para ser proclamado.

Horas antes da decisão da direção do PT nacional, capitaneada pelo senador Humberto Costa (PE), a cúpula do PT mineiro pediu às Executivas municipais que imprimissem novas cédulas de votação, que passariam a ter o nome de Dandara. O adiamento, entretanto, foi determinado pela instância federal da legenda a partir do entendimento de “impossibilidade logística” para incluir a deputada federal nos cartões de voto.

“O adiamento cumpre a decisão judicial de garantir igualdade de condições aos candidatos, sem prejuízo da defesa do Diretório do Nacional no processo em referência que demonstrará a plena regularidade de todas decisões tomadas pelas instâncias internas do Partido”, lê-se na nota do diretório nacional do PT.

Pelo que apurou O Fator, 14 integrantes da Executiva nacional do partido votaram a favor do texto que determina o adiamento da eleição em Minas. Outros seis componentes defenderam a manutenção do pleito para este domingo. Uma abstenção foi registrada.

Na nota em que anuncia aos filiados o adiamento do processo eleitoral em solo mineiro, a direção nacional ainda cita a “inviabilidade política decorrente da insegurança que pode ser imposta aos filiados e filiadas do PT que exercerão seu voto neste domingo”.

O imbróglio em Minas será tema de uma nova reunião da Executiva federal petista. O encontro foi agendado para a terça-feira (8).

Entenda o impasse

Integrante da ala interna do PT que conta com o deputado federal Reginaldo Lopes e com o atual presidente em Minas, o deputado estadual Cristiano Silveira, Dandara teve a candidatura barrada pela instância nacional do partido por causa de uma dívida com a legenda. A parlamentar afirma ter tentado quitar o débito — de cerca de R$ 131,8 mil — dentro do prazo estipulado pelo regulamento eleitoral, mas diz que o pagamento não aconteceu a tempo em virtude de um erro bancário. 

A liminar que determinou a reinclusão de Dandara na relação de candidatos ao comando do PT mineiro é assinada pelo juiz Jerônimo Grigoletto Goellner, da 17ª Vara Cível de Brasília (DF). 

Nos autos do processo, a deputada diz ter apresentado comprovante de pagamento do primeiro boleto referente à dívida, no valor de R$ 6,8 mil,, em 27 de maio. Na mesma data, agendou o pagamento do segundo boleto, de R$ 124,9 mil, para o prazo limite estabelecido pelo regulamento

O pagamento agendado da segunda parcela, no entanto, não foi efetivado. O juiz destacou que, “via de regra, agendamentos não se convertem em pagamento quando, na data agendada, não há saldo suficiente em conta”. Entretanto, um e-mail anexado ao processo, enviado por representante da instituição financeira responsável pela conta de Dandara, confirmou que havia saldo suficiente para a quitação do débito na data prevista. O magistrado, então, considerou verossímil a alegação de que o não pagamento decorreu de falha interna do banco.

“Minas Gerais é um estado importante demais para o Brasil. Tem uma regra em toda eleição que quem ganha em Minas ganha no Brasil. Nós estamos preocupados é com o fortalecimento do nosso campo político, a reeleição do presidente Lula. O meu compromisso é com um projeto coletivo de poder. Por isso, nós lutamos muito para provar a irregularidade, a ilegalidade, a injustiça do ato de cassar a minha candidatura. Eu sou candidata, reconhecida pela justiça, e quero que a militância decida no voto quem deve presidir o PT de Minas Gerais. Estou pronta para isso”, declarou Dandara.  

Além de Dandara, apresentaram candidaturas ao comando do PT mineiro a vice-presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Leninha, o professor Juanito Vieira e o advogado Esdras Juvenal.

No plano nacional, concorrem Edinho Silva, Rui Falcão, Valter Pomar e Romênio Pereira.

Leia também:

Juíza manda ação por peculato dos ‘fura-filas’ da vacina para o TJMG

Mais jogos que em 2014 e seleções hospedadas no interior: o plano de Minas para a Copa do Mundo Feminina

Juiz manda secretários de prefeitura mineira devolverem 13º salário considerado ilegal

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse