Entre garfadas no famoso processado de carne de porco do Solar dos Presuntos, icônico restaurante de Lisboa, ministros e deputados próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiram preocupações sobre as incertezas dos planos do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para 2026. Pacheco é o nome preferido de Lula para disputar o governo de Minas Gerais.
A conversa ocorreu na semana passada, durante o almoço oferecido pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) ao ex-presidente Michel Temer (MDB), à margem do Fórum Jurídico de Lisboa — também conhecido como “Gilmarpalooza”.
A avaliação entre os governistas à mesa foi a de que Lula já não tem mais gestos a fazer para convencer Pacheco a assumir, de vez, a condição de postulante ao governo de Minas. O presidente conta com o senador para ancorar um palanque robusto no estado, considerado estratégico em uma eventual disputa pela reeleição.
Os presentes confidenciaram que o senador tem se movimentado mais intensamente em outra direção: uma possível indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou ao Tribunal de Contas da União (TCU), como ocorreu com Antônio Anastasia no ano final do mandato de senador, em 2022.
A indicação de Pacheco ao STF tem sendo ventilada a partir de uma suposta sinalização de bastidores do ministro Luís Roberto Barroso sobre antecipar sua aposentadoria.
Barroso, contudo, nega qualquer intenção de deixar o cargo antes da sua aposentadoria compulsória, aos 75 anos. Ele tem hoje 67 anos, o que, pelas regras da Corte, lhe garantiria mandato até 2033.
Antes disso, o próximo na fila seria Luiz Fux, que alcança a idade-limite em 2028.
As conversas no almoço reforçaram a percepção de que os planos de Pacheco são muito diferentes do de Lula — o que, na prática, mantém o tabuleiro eleitoral mineiro para o campo progressista em compasso de espera.
