MPF investiga uso de emenda Pix após mesma empresa vencer quatro licitações em cidade de MG

Inquérito foi instaurado para apurar se recurso destinado por parlamentares foi usado nas licitações com a mesma empresa
As emendas Pix são valores enviados pelo governo federal diretamente a estados e municípios sem destinação específica para uso. Foto: Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação para apurar o uso de recursos das chamadas emendas parlamentares “Pix” pelo município de Santo Antônio do Retiro, no Norte de Minas. O inquérito foi instaurado nesta terça-feira (8) após a identificação de que uma mesma empresa venceu quatro licitações diferentes promovidas pela prefeitura para a construção de quadras poliesportivas em diversas comunidades locais.

A investigação vai acompanhar, pelo prazo inicial de um ano, a aplicação de três emendas parlamentares individuais impositivas recebidas pelo município em 2024, que juntas somam R$ 1,1 milhão. O MPF quer entender se os recursos das emendas Pix foram utilizados para contratar a empresa “sortuda” na cidade.

As suspeitas tiveram início depois que a mesma empresa venceu quatro concorrências diferentes mas parecidas – todas voltadas à execução das obras financiadas pelos recursos federais. As quadras escolares estão previstas para as comunidades de Brejo Grande, Cedro II, Tamboril, Capão do Riacho da Areia e Capim Gordura.

O MPF requisitou, em um prazo de 15 dias, o envio de cópia integral dos quatro processos licitatórios, a confirmação do uso dos recursos das emendas nas obras e a informação sobre o estágio atual de cada uma das construções. A prefeitura também deverá informar se as obras já foram concluídas ou ainda estão em execução.

A instauração deste inquérito civil ocorre no contexto de um monitoramento ampliado do uso das emendas “Pix” em Minas Gerais, em cumprimento à orientação do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou atenção redobrada à aplicação desses recursos.

As emendas “Pix” são transferências federais realizadas a estados e municípios sem destinação específica, o que concede maior liberdade de uso. Desde 2023, tornou-se obrigatório o cadastramento de um plano de trabalho e a posterior prestação de contas desses valores – o difícil é fazer com que as prefeituras sigam esse procedimento.

No início de junho, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) informou ao Supremo Tribunal Federal que 92 municípios mineiros ainda não haviam registrado os planos de trabalho exigidos para receber as emendas “Pix”, referentes ao período de 2020 a 2023.

Santo Antônio do Retiro, apesar de estar sob investigação, não figura na lista dos 92 municípios que descumprem a exigência do plano de trabalho, segundo dados do TCE. Ainda assim, a coincidência de um mesmo fornecedor em diferentes licitações acendeu o alerta dos órgãos de controle federal.

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