As conversas entre MDB e Republicanos por aliança em Minas no ano que vem

Tratativas avançam e também miram reforço na chapa de deputados federais de ambas as legendas
Euclydes se movimenta para ocupar uma das vagas ao Senado. Foto: Divulgação

MDB e Republicanos avançaram nas articulações por uma união em Minas Gerais na eleição do ano que vem. Pelo que apurou O Fator, caciques nacionais e estaduais das duas legendas se reuniram por duas vezes nesta semana em Brasília (DF) para tratar do tema. A ideia é que os partidos construam, conjuntamente, uma chapa com um candidato ao governo do estado e dois concorrentes ao Senado Federal.

Os debates sobre uma aliança em Minas ocorrem de forma paralela às tratativas entre os partidos pela formação de uma federação, que tem caráter nacional.

O presidente estadual emedebista, Newton Cardoso Júnior, sentou-se à mesa com Baleia Rossi, presidente nacional de seu partido, enquanto Euclydes Pettersen, que comanda o Republicanos, partiu para uma conversa com Marcos Pereira, seu homólogo a nível federal. Nas duas reuniões, os temas foram os mesmos: ajuste de espaços e alinhamento de estratégias rumo a uma eventual montagem de chapa.

Pelo Republicanos, a fotografia de momento é mais nítida: o partido tem o senador Cleitinho Azevedo, líder em pesquisas eleitorais, como pré-candidato ao governo. Pettersen, por sua vez, se movimenta para ocupar uma das vagas ao Senado.

Cleitinho ainda não chegou à metade do mandato como integrante da Casa Alta do Congresso Nacional. Nas avaliações internas do Republicanos por uma candidatura própria ao governo, pesa a favor o fato de o parlamentar não ficar sem cargo eletivo em caso de eventual derrota no ano que vem.

Já Pettersen, apontam correligionários, ganharia musculatura eleitoral como candidato ao Senado na chapa de Cleitinho.

A formação ainda abriria espaço para ampliar a representação de Republicanos e MDB na bancada mineira da Câmara dos Deputados. Somados, os diretórios estaduais das agremiações têm quatro parlamentares.

MDB também se posiciona no tabuleiro

Enquanto o Republicanos se movimenta, os emedebistas posicionaram duas peças no tabuleiro político para um projeto majoritário: o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite, e o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo. Ambos negam intenção de participar do pleito.

Interlocutores ouvidos por O Fator, entretanto, relatam que as conversas estão em fase de amadurecimento.

Gabriel, aliás, participou das duas rodadas de tratativas — primeiro ao lado de Euclydes e Marcos Pereira; depois, com Newton Júnior e Baleia. O ex-presidente da Câmara Municipal já foi sondado para formar dobradinha com Cleitinho e é aventado como eventual suplente de Euclydes Pettersen na candidatura ao Senado.

Para dirigentes do MDB, essas abordagens reforçam um movimento iniciado há meses, quando Baleia e Newton Júnior passaram a incentivar Gabriel a entrar na disputa eleitoral. Eles destacam a capacidade de comunicação do ex-vereador e o recall do ano passado, quando concorreu à Prefeitura de Belo Horizonte.

Por ora, as conversas sobre a federação entre o MDB e o Republicanos — iniciadas há alguns meses e tidas por interlocutores como bem avançadas —, foram pausadas. As direções das duas legendas vão aguardar as comemorações de 20 anos do Republicanos, no próximo mês de agosto, e também a confirmação da coalizão União Brasil-PP, também prevista para o mês que vem.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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