A posição adotada pelo vereador Pedro Rousseff (PT) na votação de um projeto de lei na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), nesta sexta-feira (11), surpreendeu aliados e deixou marcas de descontentamento. Rousseff se manifestou favoravelmente ao texto que autoriza o repasse, ao governo de Minas Gerais, de um terreno da prefeitura na Gameleira.
A ideia da gestão de Romeu Zema (Novo) é construir um complexo hospitalar no local, mas parlamentares de esquerda têm mostrado reticência quanto ao projeto.
A transferência do terreno foi aprovada pelos vereadores em 1° turno. Se os planos do governo saírem do papel, o espaço, que por anos sediou o antigo Hospital Galba Veloso, passará a ser administrado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). O objetivo é concentrar, em um único local, a demanda por atendimentos em áreas como pediatria, infectologia, oncologia, hoje espalhadas por casas de saúde como o Hospital Infantil João Paulo II, o Hospital Eduardo de Meneses e o Hospital Alberto Cavalcanti.
Durante toda a sexta-feira, a bancada de esquerda se preparou para obstruir a proposta. O líder do PT, Pedro Patrus, chegou a apresentar questões de ordem em plenário a fim de atrasar a votação. Por isso, a posição de Pedro Rousseff deixou colegas da incomodados.
Patrus, ao lado dos correligionários Luiza Dulci e Bruno Pedralva, votou “não” à desafetação da área na Gameleira. O projeto do complexo hospitalar também foi rechaçado por Iza Lourença e Juhlia Santos, ambas do Psol.
A O Fator, Pedro Rousseff justificou o posicionamento.
“Todo mundo sabe que sou o maior inimigo do Zema na Câmara. Inclusive, graças a uma ação minha, Zema não pôde privatizar o Hospital Amélia Lins. Mas votar contra a criação de um novo hospital é coisa de maluco”, disse.
O líder do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) na Câmara, Bruno Miranda (PDT), afirmou que o modelo de gestão do novo complexo hospitalar será semelhante ao adotado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, em centros de saúde e Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis).
“Em momento algum o projeto vincula a construção dessas unidades de saúde à privatização de hospitais que já operam no sistema SUS em Belo Horizonte. O que está em discussão é a assinatura de Parcerias Público Privadas (PPPs), a partir das quais serviços como manutenção e limpeza poderão ser concedidos à iniciativa privada, preservando ao poder público a atribuição de administrar a gestão médico-hospitalar”, pontuou.