Ante a iminente indicação do deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT) ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), o primeiro suplente dos pedetistas na Assembleia Legislativa, Carlos Pimenta, já prepara o terno, a gravata e a lapela de parlamentar para retornar à Casa. Médico de formação, Pimenta, deputado por sete mandatos consecutivos, deve tomar posse em agosto.
O novo-velho parlamentar, que tem a saúde pública como bandeira prioritária, pretende manter postura de independência em relação ao governo de Romeu Zema (Novo), mas diz estar à disposição do chefe do Executivo para o diálogo.
“Mesmo nos últimos anos em que não estive no cargo de deputado, sigo viajando por todo o estado, principalmente pelo Norte de Minas. A situação da saúde nos municípios está cada dia pior. Existem os recursos e há bons projetos por parte do governo do estado, mas ainda assim as filas por exames, consultas e remédios não deixam de aumentar. Estou convencido de que tenho muito a contribuir nesta questão”, afirmou Pimenta, a O Fator.
Além de Alencar da Silveira Júnior, o PDT é representado por Thiago Cota na Assembleia. O partido integra o bloco parlamentar “Avança Minas” ao lado de PSDB, PSB, Cidadania, Republicanos, Avante, MDB, PRD e Solidariedade. A coalizão tem postura alinhada ao governo Zema. Os trabalhistas, entretanto, costumam adotar orientação de independência nas votações.
Independência, aliás, foi o que Carlos Pimenta tentou manter durante o governo de Fernando Pimentel (PT), entre 2015 e 2018. Por orientação do partido, o deputado teve de compor a base aliada ao Executivo. Se dependesse do parlamentar, entretanto, a postura seria de oposição.
Em uma situação delicada, restou a Pimenta equilibrar os pratos. Na reta final da gestão Pimentel, ele conseguiu marcar posição contrária ao petista, sobretudo com discursos críticos nos microfones da Assembleia.
Olho em 2026
Para Pimenta, mesmo com uma eventual desfiliação de Ciro Gomes, o PDT tem de apresentar candidaturas majoritárias em Minas Gerais no ano que vem.
“O PDT precisa voltar a pensar grande e disputar, por exemplo, uma vaga no Senado. Temos quadros como o deputado federal Mário Heringer e a deputada federal Duda Salabert, que seriam concretamente competitivos em uma chapa nas vagas de senador ou de vice-governador”, ressaltou.
Em 2022, para dar palanque a Ciro, os trabalhistas lançaram a candidatura do vereador belo-horizontino Bruno Miranda ao Senado Federal. A chapa, formada em dobradinha com o PSDB, teve o tucano Marcus Pestana como postulante ao governo do estado.
Depois da ida de Alencar para o TCE, o PDT pode perder outro representante na Assembleia. É que Thiago Cota figura na lista de cotados para as próximas duas vagas na Corte de Contas a serem preenchidas por indicações do Legislativo.
Além de Cota, a bolsa de apostas nos corredores da Casa conta com nomes como Sargento Rodrigues (PL), Ione Pinheiro (União Brasil), Gustavo Valadares (PMN), Tito Torres (PSD), Ulysses Gomes (PT) e Arnaldo Silva (União Brasil).