As seguidas manifestações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo de Minas Gerais em 2026 foram entendidas como demanda prioritária do partido no estado. A avaliação é da deputada estadual Leninha, recém-eleita presidente estadual do diretório petista em solo mineiro.
De olho na formação de uma aliança com Pacheco no ano que vem, Leninha diz que, tão logo tome posse no comando do PT, irá visitar o senador em Brasília (DF) a fim de intensificar a busca por uma composição. A cerimônia que vai oficializar a parlamentar como presidente estadual do partido deve acontecer entre agosto e setembro.
“O presidente Lula deixou claro que pretende contar com a liderança do senador Pacheco para derrotar a extrema direita em Minas. Não podemos deixar essas tratativas para 2026. Vamos nos reunir com o senador e com os dirigentes de todos os partidos do campo democrático no estado, ainda este ano, no caminho de construir essa unidade”, disse Leninha, a O Fator.
Na semana passada, Pacheco emitiu nota pública para afirmar que não se furtaria a caminhar ao lado do PT em uma disputa eleitoral. Embora a sinalização tenha animado aliados do senador quanto à possibilidade de disputar o governo mineiro, o pessedista ainda não bateu o martelo sobre participar, ou não, da corrida à sucessão de Romeu Zema (Novo).
A deputada afirmou, ainda, que pretende ampliar o número de diretórios partidários mineiros em torno da reeleição do presidente Lula em 2026. Ela vê com bons olhos, por exemplo, um eventual ingresso de PSB e PDT na federação “Brasil da Esperança”, hoje composta por PT, PCdoB e PV.
No campo interno, Leninha quer fortalecer o PT mineiro junto ao governo federal e ao novo presidente nacional da legenda, Edinho Silva.
“Quando Lula anunciou seu ministério, em janeiro de 2023, não havia representação do PT de Minas Gerais na equipe escolhida. A ministra Macaé (Evaristo, dos Direitos Humanos) foi nomeada no segundo semestre do ano seguinte, resultado de uma articulação muito mais pessoal do que partidária”, pontuou.
Discurso de renovação em BH
Paralelamente à mudança no plano estadual, em Belo Horizonte o PT seguirá sob a batuta de Guilherme Jardim, o Guima. O partido vem de três reveses seguidos em eleições para a prefeitura da capital mineira. Em 2016, Reginaldo Lopes obteve 7,27% dos votos. Quatro anos depois, Nilmário Miranda ficou com 1,88%; em 2024, Rogério Correia terminou o primeiro turno com 4,37% dos votos válidos.
Segundo Guima Jardim, os petistas estão desafiados a adotar, a partir das eleições municipais de 2028, uma postura diferente na corrida pelo Executivo municipal.
“Temos que reconhecer e valorizar sempre a atuação dos líderes que fundaram e construíram a história do PT em Belo Horizonte, mas é preciso virar a página. Temos uma nova geração de dirigentes, representada não apenas em nossa bancada na Câmara Municipal, mas também nos movimentos sociais e na vida política da cidade. Acredito que chegou o momento de apostar em novas lideranças e atualizar o nosso diálogo com os belo-horizontinos”, pregou.