Essa narrativa, presente no título deste texto e repetida à exaustão, serve para justificar cortes, privatizações, arrocho salarial e a precarização dos serviços públicos. Enquanto os servidores convivem com salários congelados, sem reposição inflacionária, e a população vê escolas, hospitais e repartições à beira do colapso, o mesmo Estado que alega não ter dinheiro abre mão de R$ 25,2 bilhões em impostos na LDO 2025. Isso mesmo: quase 20% da receita prevista para o ano seguinte, entregue de bandeja — sem critério público nem contrapartida social.
É o tipo de contradição que não aparece em coletivas nem nas propagandas oficiais. Porque ela desmonta a farsa.
A política tributária de Romeu Zema tem lado — e não é o do povo. O Estado perdoa dívidas milionárias com anistias fiscais, concede benefícios a grandes grupos econômicos e se prepara para entregar empresas estatais e prédios públicos. Tudo isso sob o pretexto de “eficiência” e “modernização”. Enquanto isso, o trabalhador vê seus direitos derreterem sob um calor político seco, hostil e autoritário.
Do lado de cá, os Auditores Fiscais da Receita Estadual seguem em campo. São eles que, dia após dia, enfrentam a sonegação com técnica, coragem e compromisso institucional. Mas o que recebem em troca? Desmonte, assédio e perseguição. Perdem instrumentos, perdem voz e, às vezes, perdem até a saúde. Mas continuam — porque sabem que, sem fiscalização séria, o Estado vira balcão de favores e o cofre se torna vitrine de ilusão.
A imagem do auditor enxugando gelo — que inspirou uma das charges que circulam nas redes do Sindifisco-MG — não é uma metáfora gratuita. É a síntese da política fiscal de Zema: quem deveria fortalecer a arrecadação é abandonado, enquanto a receita é dilapidada para privilegiar os mesmos de sempre.
A pergunta que ecoa nos corredores da SEF e nas ruas de Minas é só uma: quem vai pagar essa conta?
A resposta é incômoda — e por isso precisa ser dita em alto e bom som: o povo mineiro.
O pequeno empresário sem crédito. O servidor sem reajuste. A professora com giz quebrado. O paciente na fila do SUS. O usuário de rodovias, obrigado a pagar pedágios altíssimos por estradas ruins.
O Sindifisco-MG não vai silenciar. A missão da categoria é mais do que técnica: é social. Fiscalizar é defender a justiça. É proteger o que é de todos. É recusar o papel de cúmplice num projeto de destruição silenciosa. Quem abre mão da receita, fecha o futuro de Minas. E não será no gelo que iremos calar.