Crise do Samu e possível greve em Minas vão ser debatidas pela Assembleia Legislativa

Trabalhadores ameaçam parar em mais de 700 cidades para reivindicar melhores salários e condições de trabalho
Trabalhadores do Samu têm feito manifestações em todo o Estado. Foto: SindSaúde-MG

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai realizar, no dia 14 de agosto, às 10h, uma audiência pública para discutir a situação crítica do Samu no estado. O debate foi solicitado pelo deputado Doorgal Andrada (PSD), diante da ameaça de greve de profissionais do serviço móvel de urgência e emergência em mais de 700 municípios mineiros. Eles pedem melhorias nos salários, inclusão no rol da saúde e pagamento em dia.

Conforme antecipado por O Fator, dez consórcios intermunicipais de saúde que gerenciam o Samu em Minas denunciam que os valores pagos pela União estão abaixo do percentual mínimo previsto por lei. O déficit vai chegar R$ 56,8 milhões ao final de 2025, segundo levantamento elaborado pelos próprios consórcios.

O custeio do serviço de urgência e emergência é tripartite. A União arca com 50%, os estados com no mínimo 25% e os municípios com no máximo 25%. O documento elaborado pelos gestores ao qual O Fator teve acesso, no entanto, aponta que os repasses do governo federal não chegam a 40%.

Cobranças

Em maio, gestores e prefeitos foram a Brasília para cobrar pessoalmente do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, uma solução para o problema. Um ofício ratificando providências foi enviado em junho ao ministério. Até esta quinta-feira (17/7), porém, o grupo seguia sem resposta oficial.

Na semana passada, Padilha esteve na Região Metropolitana de Belo Horizonte e não incluiu representantes do Samu na pauta oficial. Ao fim do último dia da agenda, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde de Minas Gerais (SindSaúde-MG) conseguiu entregar, em mãos, um ofício ao ministro.

Greve

A crise no financiamento pela União afeta diretamente a remuneração dos profissionais do Samu. Os condutores socorristas recebem, em média, R$ 1,7 mil e ameaçam greve em todo o estado. De acordo com gestores dos consórcios de saúde, sem o pagamento em dia pelo governo federal e um aumento dos recursos não é possível reajustar os vencimentos.

O movimento paredista ganhou adesão de profissionais da enfermagem, que cobram do governo estadual o pagamento em dia do piso da categoria.

Inclusão no rol da saúde

Além da questão financeira, o Sindsaúde-MG defende que os condutores socorristas sejam incluídos oficialmente no rol da saúde. A medida permitiria o acesso a benefícios legais, como aposentadoria especial e gratificações específicas. Um projeto de lei sobre o tema tramita na Câmara dos Deputados.

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