O papel do novo marqueteiro de Zema e Simões nas reações rápidas à operação da PF contra Bolsonaro

Dupla aposta em nova estratégia de comunicação para se aproximar do eleitorado bolsonarista para 2026
Zema e Simões se manifestaram em suas redes sociais ainda durante a manhã. Foto: Divulgação

As reações quase imediatas do governador Romeu Zema (Novo) e do vice-governador Mateus Simões (Novo) contra a operação da Polícia Federal que impôs novas restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (18), foram os primeiros grandes sinais da nova coordenação de comunicação da dupla. Desde a semana passada, ambos passaram a contar com o mesmo marqueteiro, Renato Pereira.

A troca na condução da comunicação de Zema e, mais recentemente, de Simões, marca uma guinada do grupo em direção a uma postura mais à direita, com o objetivo de ocupar o espaço político que pode ser deixado na eleição presidencial de 2026, caso Bolsonaro se mantenha inelegível. A estratégia de Pereira busca aproximar Zema do eleitorado bolsonarista, calcando as manifestações públicas em críticas mais contundentes ao Judiciário e em defesa da pauta conservadora, diferentemente do perfil adotado anteriormente.

Zema e Simões se manifestaram em suas redes sociais ainda durante a manhã, poucas horas após a operação da PF vir a público, e usaram forte tom de crítica à decisão judicial que atingiu Jair Bolsonaro. O governador escreveu:

“Mais um ato absurdo de perseguição política a Jair Bolsonaro. Censuraram suas redes, proibiram de falar com o filho e obrigaram a usar tornozeleira eletrônica. Tudo isso num processo cheio de abusos e ilegalidades. Não existe democracia quando a Justiça é politizada.”

O vice-governador, Mateus Simões, também se posicionou de forma veemente:

“A perseguição política chega hoje a um novo absurdo. A proibição a Jair Bolsonaro de falar com o próprio filho e a censura a suas redes sociais é um novo e sombrio capítulo para o sistema judicial brasileiro. Minha solidariedade a toda sua família. Seguimos na luta para que a Justiça e a Liberdade voltem a prevalecer no Brasil.”

A mudança de tom faz parte de um reposicionamento. Até o início deste ano, a comunicação de Zema era tocada por Leandro Grôppo, marqueteiro que o levou ao governo em duas eleições com uma estratégia de se apresentar como alternativa liberal, reformista e menos radical que Bolsonaro. Já Mateus Simões contava com a consultoria de Alberto Lage, que buscava uma campanha mais distante até mesmo da imagem construída por Zema.

Com a chegada de Renato Pereira, veterano em campanhas de nomes como Aécio Neves e Sérgio Cabral e agora responsável pelo discurso do grupo, o Novo em Minas reforça a aposta em um discurso mais próximo do eleitorado bolsonarista. A avaliação interna é que o espaço deixado por Jair Bolsonaro, caso seja impedido de disputar 2026, deve ser disputado por nomes que consigam adotar bandeiras e retóricas afinadas com a direita mais conservadora.

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