A decisão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) de escolher um terreno ao lado do Arquivo Público Municipal, na Região Leste, para sediar um novo galpão de triagem de resíduos de recicláveis abriu uma pequena crise entre servidores da área e o Executivo municipal. O entendimento é que o fato de o Arquivo agora ser vizinho a um espaço voltado à seleção de materiais para reciclagem pode prejudicar documentos históricos por causa do risco de eventos como incêndios e aparecimento de roedores.
O galpão de resíduos começou a funcionar ao lado do Arquivo Público nessa segunda-feira (21). Já nesta terça-feira (22), a Associação Mineira de Arquivistas (Amarq) emitiu nota para contestar a decisão.
“Riscos como incêndios, infestação por roedores e insetos, insalubridade e insegurança no entorno já foram enfrentados anteriormente. Agora, podem se intensificar de forma irreversível”, diz trecho do texto, que fala em ameaça à “preservação do acervo histórico da cidade”, à “saúde e segurança dos agentes públicos e usuários” e à “estabilidade de uma política pública arquivística construída há décadas”.
Sediado em um imóvel no Bairro Floresta, o Arquivo Público de BH tem uma sala de consulta pública voltada à população. No local, além de documentos oficiais, é possível acessar fotos, mapas, registros sonoros, plantas arquitetônicas e revistas que contam passagens da história da cidade.
Embora reconheça a importância da disponibilização de um espaço adequado para a triagem dos recicláveis, a Amarq diz que o local designado pelo poder público “não foi uma escolha assertiva da administração municipal”.
Prefeitura rebate
Procurada por O Fator, a Prefeitura de BH defendeu a escolha do terreno vizinho ao Arquivo Público para abrigar o galpão de reciclagem. Segundo o Executivo municipal, o espaço tem requisitos técnicos e operacionais para a realização da atividade de triagem dos resíduos.
“O galpão tem 650 m² de área livre, localização estratégica para atender aos catadores e estrutura pronta com espaço adequado, rede elétrica e acesso viário. Vale ressaltar que o preço está alinhado aos valores de referência do segmento e permitiu início imediato das atividades, sem geração de custos adicionais com reformas”, informou a administração municipal.
