Remédio de R$ 15 milhões aplicado em criança de MG é suspenso pela Anvisa

A interrupção vale para novos tratamentos e também afeta pedidos feitos por decisão judicial no Brasil
No Brasil, o Elevidys foi usado pela primeira vez pelo pequeno Enrico, de Varginha. Foto: Divulgação

A Anvisa suspendeu temporariamente a importação, comercialização e uso do remédio Elevidys, indicado para tratar um tipo raro de distrofia muscular em crianças. Desenvolvido nos Estados Unidos e avaliado em mais de R$ 15 milhões, o remédio foi usado pela primeira vez no Brasil em 2024 por Enrico Cossa, de 6 anos, morador de Varginha (MG).

A medida foi tomada após a morte de três pacientes nos Estados Unidos. Eles sofreram falência hepática após receberem terapias com a mesma tecnologia usada no medicamento. A interrupção vale para novos tratamentos e também afeta pedidos feitos por decisão judicial no Brasil.

Casos fatais nos EUA

Apesar de nenhuma das mortes ter ocorrido no Brasil, e de o medicamento ser aprovado apenas para um grupo restrito de pacientes em solo nacional, a Anvisa optou pela suspensão como precaução. Os casos fatais nos EUA envolveram dois pacientes pediátricos que não andavam acometidos com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD) e um terceiro caso em paciente adulto com Distrofia Muscular de Cinturas.

O Elevidys no Brasil é autorizado apenas para crianças de 4 a 7 anos, que conseguem andar e têm diagnóstico confirmado de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD). A doença é genética, causa enfraquecimento progressivo dos músculos e não tem cura. O medicamento foi aprovado em caráter excepcional no fim de 2024 e já foi usado por cerca de 10 brasileiros.

Reações adversas no Brasil

No país, foram registradas três reações adversas. Em dois deles, efeitos como alteração nas enzimas musculares e hepáticas já eram previstos em bula e foram controlados. O terceiro caso terminou em morte, mas, segundo a Anvisa, foi provocado por uma infecção viral grave em decorrência da baixa imunidade, e não pelo uso do remédio.

A decisão da agência brasileira segue uma paralisação feita também nos Estados Unidos, onde o remédio foi desenvolvido, e em outros países.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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