Barbacena, na Zona da Mata de Minas Gerais, vai receber a segunda fábrica de proteína concentrada de soro de leite do Brasil. Com um investimento de R$ 70 milhões, a Bees-Bee Alimentos vai processar 800 mil litros de soro por dia e produzir de cinco a seis toneladas de whey protein diariamente, para atender parte da demanda interna. Hoje, quase 90% do produto consumido no país é importado.
A fábrica vai gerar 120 empregos diretos. Já em fase de terraplenagem, as obras estruturais devem ser concluídas em novembro deste ano, quando terá início a montagem dos equipamentos, que serão importados dos Estados Unidos e da França. A planta será instalada em uma área de 60 mil metros quadrados, doada pela prefeitura.
A previsão é a de que a unidade entre em operação em julho de 2026, com capacidade para processar 2 milhões de litros de soro de leite por dia, mais do que o dobro do inicial.
Para efeito de comparação, conforme explica um dos sócios, o médico e empresário Nicolau Esteves, a empresa deve operar com mais de 40 carretas de 20 mil litros de leite por dia no início das atividades.
Mercado
A proteína do leite concentrada será vendida no atacado para marcas que a misturam a outras substâncias, como adoçantes e aromatizantes (chocolate, morango, baunilha, por exemplo). Devido à complexidade da produção, aos custos envolvidos e aos incentivos fiscais à importação, cerca de 90% do whey protein consumido atualmente no Brasil é trazido do exterior.
“O que temos no Brasil hoje são empresas que importam a proteína do leite, misturam e distribuem. Nós vamos produzir a proteína em si, em um processo complexo que demanda muito estudo e investimento”, explica.
Preparação de fornecedores
A instalação da Bees-Bee promete reconfigurar a cadeia de produção de lácteos da região, impactando desde o campo até a indústria. Para garantir um soro de alta qualidade, será necessário um rigoroso processo de padronização do leite, que incluirá a preparação dos fornecedores.
“Para o futuro, pensamos em enviar concentradores aos fornecedores de leite e, assim, recolher apenas o soro, tanto aqui quanto em outras regiões. O objetivo é otimizar o processo”, afirma Esteves.
A iniciativa também abre caminho para uma nova fonte de receita contínua para os laticínios, contribuindo para a sustentabilidade econômica do setor. A região, segundo o empresário, tem potencial para produzir até 2,5 milhões de litros de soro.
Barbacena
Barbacena foi escolhida por abrigar uma importante bacia leiteira de Minas. Além disso, o terreno utilizado foi doado à empresa pela prefeitura para que a fábrica fosse instalada na cidade, que pode se consolidar como polo nacional na produção da substância de alto valor agregado.
“Estávamos em busca de um terreno às margens da BR e não encontramos. Chegamos a decidir pela instalação em outra cidade, mas o prefeito Carlos Du (PSD) nos procurou e nos convenceu a manter a fábrica em Barbacena”, diz.
O Projeto de Lei que previa a doação da área foi enviado pelo Executivo municipal e aprovado, em 3 de julho, em sessão da Câmara Municipal de Barbacena.