O presidente Lula anunciou nesta segunda (28) que o Brasil deixou o Mapa da Fome, mantido pela FAO, uma agência da ONU.
A informação foi confirmada a O Fator pela assessoria de imprensa da FAO, que enviou cópia do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2025, publicado hoje.
Lula não citou um fator importante citado no relatório: o papel dos juros altos para segurar a inflação dos alimentos.

“A política monetária contracionista tem reduzido consistentemente a inflação dos preços dos alimentos nas principais economias emergentes (por exemplo, Brasil, China, Índia, Federação da Rússia e África do Sul), destacando sua eficácia na estabilização dos preços dos alimentos”, diz trecho do relatório, na página 88.
“Países como Brasil, Chile e México lideraram o ciclo de aperto [monetário], com a maioria dos LICs [países de renda baixa] e MICs [países de renda média] tomando medidas significativas até o fim de 2021”, prossegue o relatório.
O Brasil começou 2021 com a Selic a 2% ao ano e terminou com 9,25%.
Pelos dados da FAO, no triênio de 2022 a 2024 o Brasil apresentou um índice de subalimentação abaixo de 2,5%, “critério para a saída do Mapa da Fome”, disse a organização a O Fator.
Na tabela no relatório, as taxas exatas para os países com índice dentro dessa meta não aparecem, apenas “<2.5”, ou seja, menor que 2,5%. No triênio 2004-2006 essa taxa era 5,7% no Brasil.
A tabela também mostra que, nesse mesmo triênio recente (2022-2024), o Brasil ainda tinha em média 7,1 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave, ou seja, quando “as pessoas ficaram sem comida, passaram fome e, no caso mais extremo, passaram um dia ou mais sem comer”.
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