A decisão do governo dos Estados Unidos da América (EUA) de incluir o café na lista de produtos atingidos pela tarifa de 50% imposta às exportações brasileiras foi recebida com um misto de apreensão e otimismo por pequenos produtores cafeeiros de Minas Gerais.
A explicação para o sentimento de esperança é simples: um longo período de seca no Sudeste entre abril e setembro do ano passado fez o número de sacas do grão cair, o que deve aumentar o preço do insumo. A avaliação é que o reajuste pode diminuir os efeitos da taxa extra.
As mais recentes estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dão conta de que a produção de café no Brasil em 2025 deve atingir a marca de 40 milhões de sacas, número significativamente menor do que as 63 milhões de sacas embaladas em 2020. Em Minas Gerais, maior produtor de café arábico do país, a previsão é de uma colheita de 25 milhões de sacas.
Victor Muniz, integrante do sindicato dos trabalhadores rurais de Manhuaçu, no Leste de Minas, diz que a previsão dos produtores é de que o país não supere a marca de 45 milhões de sacas anuais neste ano e em 2026. A estimativa pode fazer com que, a despeito de um eventual recuo na demanda do mercado norte-americano, haja aumento no preço do grão.
“A colheita começou em maio e deve ir até o fim de agosto. Nossa expectativa é que, com a alta demanda do mercado europeu, além das exportações de café para a China, que vem crescendo nos últimos anos, a produção dessas 40 milhões de sacas possa ser absorvida sob preços até superiores aos R$ 2 mil a saca, que é a média praticada atualmente. Vamos aguardar os primeiros efeitos do tarifaço para definir como serão nossas movimentações no mercado”, projeta.
Estocagem
A decisão de estocar a maior parte da produção é avaliada como a melhor estratégia também pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg).
Em entrevista a O Fator, o presidente da federação, Vilson Luiz da Silva, afirmou que vem orientando os pequenos produtores a não ter pressa para vender todo o café que será colhido até o final de agosto.
“Não há tempo hábil para exportar a produção que já está armazenada. Nós entendemos que o momento é de esperar. Primeiro, para saber se haverá mesmo o tarifaço. E depois para acompanhar os movimentos do mercado, se o preço do café sofrerá uma alteração significativa. Nossa expectativa é de que o preço possa, inclusive, crescer nas próximas semanas”, pontua.