Pensem num rapaz que (ainda) gosto, mas um político que já desisti de tentar gostar. Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho (Republicanos-MG), tem tudo para – parafraseando outro rapaz de que gosto muito – com seus erros e acertos, virtudes e defeitos, como todos nós -, Gabriel Azevedo, ser diferente e fazer diferente, mas insiste em se comportar como uma espécie de Nikolas Ferreira (deputado do PL mineiro), porém, sem o mesmo verniz.
Eleito para a Casa Alta da República, com mais de 4 milhões de votos em 2022, Cleitinho poderia se tornar um verdadeiro estadista se tentasse, ainda que não reúna experiência de vida e profissional, e que lhe falte traquejo e cultura geral, desde que se dedicasse a aprender, crescer e trabalhar como um político interessado em construir, e não em ser mero animador de TikTok preocupado apenas em lacrar e ganhar “joinhas” digitais.
Com carisma e capacidade de comunicação privilegiada, o “mineirim” de Divinópolis construiu uma sólida imagem popular às custas de críticas, sensacionalismo e, infelizmente, ofensas digitais contra tudo e contra todos, sem jamais – o que é bem cômodo – propor solução. Cleitinho “invade” gabinetes, hospitais, pátios, repartições… E grita, xinga, gesticula de forma incompatível com o decoro e a postura que o cargo lhe exige.
Crianças malcriadas
“Ah, Ricardo, ele é assim mesmo; é popular; é do povão”. Bem, como senador, não deveria. Como também não deveria o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, mostrar o dedo do meio em campo de futebol, corretamente advertido pelo protagonista deste texto – Cleiton Gontijo de Azevedo. E aí reside o ponto central da minha crítica: Cleitinho exige (corretamente, repito) de Moraes o decoro que não tem.
Já sobre Nikolas, esse é um “caso perdido”. TikToker clássico, pensador tão profundo quanto um pires raso, como deputado prefere ofensas e perucas ao debate profícuo. Craque na quebra do decoro e da compostura parlamentar, não possui a menor autoridade moral para criticar Xandão. Mas cobrar coerência de ambos, Cleitinho e Nikolas, é como cobrar equilíbrio e incondicional respeito à Constituição do próprio ministro Alexandre de Moraes.
Minha sugestão a todos é: comportem-se como autoridades públicas que são, e destinem aos outros o respeito que gostariam de receber. E aos bolsonaristas de plantão, não se esqueçam do ex-ministro da Covid, digo da Saúde, Marcelo Queiroga, que também andou mostrando o dedo do meio a brasileiros, em Nova York, em 2021. Falta de decoro não é exclusividade de ideologias políticas. Mas de pessoas mal-educadas.