Sem Bolsonaro, quem comanda? Prisão assombra aliados e abre disputa interna

Em meio à divisão no PL e na família Bolsonaro, aliados do ex-presidente estão preocupados sobre quem será o porta-voz
Jair Bolsonaro
O vácuo de liderança após uma possível prisão de Jair Bolsonaro abre espaço para nomes da centro-direita que já se movimentam visando a disputa presidencial. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

A proximidade do julgamento que pode levar à condenação de Jair Bolsonaro (PL) e as recentes decisões do ministro Alexandre de Moraes reacenderam o receio no núcleo político mais próximo do ex-presidente. A tensão, no entanto, não se restringe à possibilidade de prisão. Há uma preocupação sobre o rumo da direita bolsonarista no país, principalmente com a chegada das eleições de 2026.

A apreensão cresceu na noite de segunda-feira (4), quando o ministro do STF determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, com uso de tornozeleira eletrônica, por descumprimento de medidas cautelares. A expectativa é de que o ex-presidente seja julgado por golpe de Estado até setembro deste ano pela Primeira Turma.

Integrantes do núcleo bolsonarista têm relatado dificuldade em saber quem assumirá o papel de porta-voz do ex-presidente caso ele seja afastado de vez da linha de frente. O impasse é atribuído à fragmentação do grupo, tanto na família quanto no PL.

Pessoas ouvidas por O Fator lembram que os conflitos internos entre os familiares do ex-presidente não são simples de resolver e sempre são “recheados de drama”. E acrescentam que as situações mudam com frequência, levando rusgas internas para o público, principalmente nas redes sociais.

Além da disputa por protagonismo, Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) têm divergências sobre as estratégias políticas e, principalmente, sobre a possibilidade de um deles disputar o Palácio do Planalto.

No PL, também há embates sobre os rumos da legenda em 2026. De um lado, está a ala mais cautelosa, liderada pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, que busca evitar mais atritos com o Supremo Tribunal Federal (STF); de outro, setores mais alinhados ao discurso radical.

Espaço para o centro

A chegada das eleições de 2026 aumenta ainda mais a pressão por uma definição clara sobre quem será a liderança em nome de Bolsonaro no grupo. Sem uma figura central para articular candidaturas e estratégias, aliados temem que a sigla entre no próximo ciclo eleitoral desorganizado e fragilizado.

O vácuo de liderança também abre espaço para nomes da centro-direita que já se movimentam de olho na disputa presidencial. Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) são hoje as opções ventiladas como possíveis candidatos.

Nenhum deles, no entanto, conta com a bênção do ex-presidente. Pelo contrário: enfrentam resistência no próprio grupo político, que os acusa de quererem herdar o espólio político de Bolsonaro sem participar de atos em defesa dele. Um exemplo foi a manifestação do último domingo (3), na Avenida Paulista, em São Paulo.

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