No cenário político contemporâneo, a busca por uma governança justa e eficaz enfrenta um adversário insidioso e cada vez mais potente: as fake news. A proliferação de informações falsas, distorcidas ou descontextualizadas, especialmente impulsionada pelas redes sociais, tornou-se um dos maiores entraves para a construção de um debate público saudável e para a tomada de decisões legislativas que verdadeiramente representem os anseios da sociedade.
É um desafio que atinge o cerne da democracia, corroendo a confiança nas instituições e dificultando a distinção entre fatos e ficção. As redes sociais, embora ferramentas poderosas para a comunicação e mobilização, transformaram-se em terreno fértil para a disseminação viral de narrativas enganosas. A velocidade com que uma notícia falsa se espalha é assustadora, e seu alcance, muitas vezes, supera o da informação verificada.
Essa dinâmica cria um ambiente onde a formação da opinião pública é constantemente bombardeada por conteúdos que apelam mais à emoção do que à razão, manipulando percepções e polarizando debates. Para nós, parlamentares, que temos a responsabilidade de legislar para o bem comum, navegar por esse mar de desinformação é como tentar construir um castelo de areia em meio a uma tempestade: a base é constantemente erodida.
O impacto não se restringe apenas à percepção externa. Infelizmente, a própria arena política não está imune a essa prática nefasta. Observamos com preocupação a instrumentalização das fake news como arma política, onde parlamentares, em uma busca desenfreada por vantagens eleitorais ou para descreditar adversários, recorrem à criação e disseminação de notícias e situações falsas. Essa tática, além de antiética, é um desserviço à democracia. Ela não apenas prejudica mandatos e reputações, mas, mais gravemente, desvia o foco dos problemas reais que a população enfrenta, transformando o debate legislativo em um espetáculo de acusações infundadas e cortinas de fumaça. A política, que deveria ser o espaço do diálogo e da construção, é convertida em um campo de batalha onde a verdade é a primeira vítima.
É imperativo que, como sociedade e como representantes eleitos, encontremos mecanismos eficazes para combater essa praga. Não se trata de restringir a liberdade de expressão, um pilar fundamental de qualquer democracia, mas sim de garantir que essa liberdade não seja deturpada para propagar mentiras que minam a capacidade dos cidadãos de fazer escolhas informadas. A educação midiática, o fortalecimento do jornalismo profissional e a responsabilização de quem produz e dissemina desinformação são passos cruciais. Somente assim poderemos resgatar a integridade do processo político e assegurar que a voz do povo, baseada em fatos e não em falácias, seja verdadeiramente ouvida e respeitada no Legislativo.