A chegada de Edinho Silva à presidência nacional do PT, oficializada no fim de semana, apesar de esperada, tem gerado dúvidas entre caciques da legenda, inclusive em Minas Gerais.
Um dos principais motivos é o receio de que, apesar do discurso público do ex-prefeito de Araraquara apontar para uma busca por renovação geral mirando as eleições de 2026, pouca coisa mude na prática.
Há décadas, o PT segue centrado na figura do presidente Lula, que completará 80 anos no próximo ano eleitoral. O petista tem dito que só disputará um quarto mandato se estiver com a saúde em dia.
“Jamais me candidataria para depois acontecer o que houve com (Joe) Biden. Nunca enganarei o partido nem o povo brasileiro”, disse Lula a correligionários, ao citar o ex-presidente dos Estados Unidos.
Enquanto o presidente esteve preso e impedido de disputar as eleições, o nome escolhido para representá-lo foi o de Fernando Haddad. De quase presidente em 2018, o atual ministro da Fazenda viu sua imagem ser desidratada por um processo de “fogo amigo” dentro da sigla.
Outro nome já cogitado para a sucessão é o do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). Internamente, no entanto, a possibilidade esbarra em um ponto sensível para o PT: abrir mão da cabeça de chapa em uma disputa presidencial.
Os problemas da legenda, porém, vão além da escolha ao Planalto. Com dificuldade para eleger deputados e senadores, Lula não conta com base no Congresso e se vê “refém” do centrão.
Para tentar reverter esse cenário, como mostrou O Fator, o PT tem buscado influenciadores e figuras com presença forte nas redes sociais como parte de sua estratégia de renovação para 2026, principalmente para fazer frente a nomes de direita.
O temor, porém, é que a chegada de Edinho, homem de confiança de Lula, represente apenas a continuidade das velhas estruturas. Ele é visto como um nome que freia novas ideias dentro da legenda.
Sem um movimento concreto, a avaliação é que o PT pode ficar para trás justamente quando a direita tradicional se reorganiza em torno de nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).
O principal receio de um dirigente petista ouvido pelo O Fator é que, caso não consiga promover uma renovação real, o partido siga o mesmo caminho do PSDB, que, após o enfraquecimento de lideranças como Aécio Neves, entrou em declínio e hoje tenta sobreviver.