Tarifaço de Trump pode reduzir PIB do Brasil em R$ 110 bi e eliminar mais de 600 mil empregos mesmo após exceções

Levantamento técnico feito pela Fiemg aponta que mesmo após mudanças, reação americana pode custar caro aos brasileiros
Decreto aplica taxa extra de 40% sobre uma longa lista de produtos, somada aos 10% já vigentes, mas exclui 694 itens. Foto: Casa Branca

O tarifaço dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras deve provocar uma retração imediata na economia do Brasil. Segundo estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), a nova tarifa, que eleva o imposto total para 50% sobre mais da metade dos produtos vendidos aos EUA, pode reduzir o PIB brasileiro em até R$ 110 bilhões em dez anos e eliminar mais de 618 mil empregos. Os efeitos atingem especialmente indústrias de aço, madeira, calçados e pecuária, tornando mais difícil a manutenção das exportações e pressionando negativamente renda, consumo e postos de trabalho em todo o país.

O decreto americano aplica taxa extra de 40% sobre uma longa lista de produtos, somada aos 10% já vigentes, mas exclui 694 produtos — sobretudo itens estratégicos para a indústria norte-americana, como petróleo, aeronaves, papel e celulose, fertilizantes e suco de laranja. Esses isentos somam US$ 18,2 bilhões ou 45,1% das exportações brasileiras para os EUA em 2024.

Entre os produtos isentos, destaque para óleos brutos de petróleo (US$ 5,8 bilhões), aviões (US$ 2,4 bilhões somando diferentes categorias de peso), pasta química de madeira (US$ 1,5 bilhão) e suco de laranja (US$ 1,4 bilhão).

Já entre os atingidos pela nova tarifa (US$ 22,2 bilhões em exportações), estão outros produtos semimanufaturados de ferro e aço (US$ 2,7 bilhões), café (US$ 1,9 bilhão), carnes bovinas, máquinas pesadas, açúcar e preparações alimentícias. No total, esses produtos representam quase 55% do que o Brasil vende aos EUA.

Onde a perda bate mais forte

Os cálculos do estudo mostram que, no cenário atual, a indústria de transformação é o principal alvo. As maiores quedas em produção, no curto prazo, devem atingir:

  • Siderurgia e tubos de aço sem costura: -8,1%
  • Produtos de madeira: -7,1%
  • Calçados e artefatos de couro: -3,1%
  • Máquinas e equipamentos: -1,9%
  • Peças e acessórios para veículos: -1,8%
  • Pecuária: -1,7%

No longo prazo, o efeito se espalha também para atividades imobiliárias (-2,0%), serviços domésticos, saúde privada e educação.

Geograficamente, Sudeste e Sul concentram quase 80% das exportações afetadas. São Paulo lidera, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais, juntos responsáveis por mais de 60% das vendas ao mercado americano.

Efeitos econômicos agregados

O estudo simula dois horizontes. No curto prazo (até dois anos), o PIB perde 0,22% (-R$ 25,8 bilhões). No longo prazo (cinco a dez anos), a contração pode chegar a 0,94% do PIB (-R$ 110,4 bilhões). O consumo das famílias recua até 2,3%, exportações caem 1,69% e investimentos 1,64%. O corte no emprego supera 618 mil postos formais e informais, com reflexo direto sobre a massa salarial e a arrecadação do Estado.

IndicadorCurto PrazoLongo Prazo
PIB real-R$ 25,8 bi (-0,22%)-R$ 110,4 bi (-0,94%)
Consumo das famílias-0,33%-2,3%
Empregos perdidos-146.605-618.071
Massa salarial (R$ bi)-2,74-11,56
Exportações-3,49%-1,69%
Investimentos0%-1,64%

Nos cenários anteriores, sem isenções setoriais, o impacto seria ainda mais severo: retração de até 1,49% do PIB e corte de mais de 1,3 milhão de postos de trabalho em dez anos. Em simulações extremas de “guerra tarifária”, as perdas podem chegar a 5,7% do PIB, quase 5 milhões de empregos e queda de R$ 93 bilhões na renda das famílias.

Comércio bilateral e limitações das medidas

O aumento tarifário foi decidido sem negociação com o governo brasileiro, conforme o estudo aponta. O argumento americano de necessidade de reequilíbrio comercial é contestado pelos dados: desde 2015, os EUA mantêm superávits consistentes na relação com o Brasil.

A balança comercial, que já foi deficitária em até US$ 13,9 bilhões para o Brasil (2022), manteve esse perfil apesar do crescimento das exportações — o déficit caiu para US$ 300 milhões em 2024.

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