Entrevistas, agendas fora de Minas, encontros com diferentes setores e opiniões sobre temas nacionais e internacionais. A princípio, uma agenda natural para um governador de Estado como Romeu Zema (Novo) e que dificilmente causaria desconforto a qualquer grupo político.
Mas completa esse cenário o anúncio de uma pré-candidatura à Presidência da República, marcado para 16 de agosto, e a escolha de não comparecer a um evento em apoio justamente àquele de quem ele espera herdar o capital político. E, no dia seguinte, esse mesmo líder é colocado em prisão domiciliar.
A combinação desses fatores irritou um dos núcleos mais próximos do ex-presidente. A avaliação de aliados ouvidos por O Fator é de que Zema poderia ter esperado um momento mais adequado para o lançamento, já que o atual é considerado extremamente delicado para Bolsonaro, e isso seria “considerado” pelo ex-presidente.
Publicamente, Zema afirma que conversou com Bolsonaro antes de anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República e que ambos concordam sobre a necessidade de união da direita nas eleições do ano que vem. Ele disputa a preferência do ex-presidente com ao menos outros quatro governadores.
Mesmo réu por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF) e inelegível até 2030 por duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro se apresenta como o único nome da direita para 2026, numa tentativa de não perder força política e apoio popular diante do avanço do Judiciário.
Para integrantes do núcleo mais devoto a Bolsonaro, Zema e outros governadores estão em dívida com o ex-presidente no momento em que “todo gesto importa”. Além de não terem participado do último ato em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, avaliam que os posicionamentos desses políticos em relação ao Judiciário ainda são mornos.
Parlamentares do PL acrescentam ainda que, ao lançar a pré-candidatura semanas antes do julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado na Primeira Turma do Supremo, o nome do partido Novo envia um sinal claro de que considera o ex-presidente fora do jogo político em 2026 e busca apenas herdar seus votos.