Após ter sua autoridade colocada à prova ao não conseguir um acordo com a oposição e ser impedido de assumir a cadeira da presidência da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados na sessão de quarta-feira (6), Hugo Motta (Republicanos-PB) tenta retomar o protagonismo político e institucional.
Ele vai discutir com os demais integrantes da Mesa, na tarde desta sexta-feira (8), quem será punido e quais sanções serão aplicadas aos parlamentares da oposição que impediram sua chegada até o local. Também será avaliada a conduta de quem “acampou” no plenário durante os dias de obstrução promovida pela oposição.
Entre os nomes já confirmados para punição estão os deputados federais Zé Trovão (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). Mas pelo menos dois parlamentares de Minas Gerais também deverão ter os nomes mencionados na reunião desta tarde: Nikolas Ferreira e Junio Amaral, ambos do PL. Se haverá punição, no entanto, ainda é incerto.
Os deputados aparecem próximos da Mesa Diretora nos registros no momento da confusão e também participaram do revezamento de políticos que ocuparam o plenário durante os dias de obstrução contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E, embora haja pressão da base governista para que eles sejam responsabilizados, a ideia é atingir quem já reincidente e, de fato, desrespeitou Motta.
A cena, transmitida ao vivo, mostrou o presidente da Câmara tentando se sentar por cerca de seis minutos na cadeira da presidência, sem sucesso, em meio a protestos e tumulto promovidos por deputados da oposição. O episódio foi amplamente explorado, resultando em desgaste à imagem do presidente.
Depois do constrangimento público, o presidente da Casa solicitou análise das imagens da sessão para avaliar com mais precisão o papel de cada deputado no episódio. Entre as medidas em discussão estão sanções administrativas e até mesmo o afastamento de parlamentares por quebra de decoro.
Além disso, não foi Motta quem fechou acordo com os políticos, mas sim o antecessor dele, Arthur Lira (PP-AL). O alagoano articulou um meio-termo entre o que queria o Centrão e o que defendiam aliados de Bolsonaro, incluindo o fim do foro privilegiado, o aval do Legislativo para que um parlamentar seja investigado e a restrição da prisão apenas a casos de flagrante ou crime inafiançável.