A indefinição do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) sobre disputar o governo de Minas Gerais em 2026 tem levado o PT a avaliar alternativas para garantir um palanque no estado. O preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é Pacheco, como já declarou em diversas ocasiões, mas o senador prometeu dar uma resposta ao seu grupo sobre o futuro até outubro.
O impasse passa por uma possível aposentadoria antecipada do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Caso isso ocorra, o mineiro tem o desejo de ser indicado por Lula para uma cadeira na Corte. Barroso só deixaria a Corte em 2033, aos 75 anos, mas nos bastidores circula o rumor de que ele gostaria de assumir um posto de embaixador.
Sem nomes internos competitivos para encabeçar a disputa estadual, o PT reabriu conversas sobre a reaproximação com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. Apesar do rompimento entre Kalil e o partido na eleição de 2022, quando perdeu o governo de Minas para Romeu Zema (Novo), dirigentes petistas avaliam que a falta de alternativas justifica retomar o diálogo.
Kalil, atualmente sem partido, já manifestou interesse em disputar novamente o comando do estado. A avaliação é que, mesmo com rusgas antigas, não custa ao PT “dar oi para velhos amigos”. Em 2022, Lula apoiou a candidatura de Kalil, mas a campanha foi marcada por divergências entre o PT e o PSD, então partido do ex-prefeito, além de atritos pessoais com lideranças petistas.
Outros nomes são cotados, como o da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), mas ela tem se mostrado mais inclinada a disputar o Senado no próximo ano. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), não encontra consenso. Dirigentes petistas avaliam que sua candidatura não teria unidade suficiente para sustentar o palanque de Lula.
Para Lula, garantir um palanque forte em Minas é estratégico. A máxima entre políticos permanece: o candidato à Presidência que vence no estado tende a ser eleito no país. Por isso, como O Fator mostrou, o presidente deve intensificar viagens a Minas em 2026, e interlocutores consideram que a volta de Kalil ao centro das conversas pode ser uma alternativa viável.
Kalil terminou em segundo lugar na eleição estadual de 2022, atrás de Zema, e agora flerta com o discurso de “centro-esquerda”. Apesar da relação marcada por atritos, tanto ele quanto o PT sinalizam que, diante do cenário de indefinição e escassez de nomes, a reaproximação entre os dois não está totalmente descartada.